Aliados esperam que Lula convença Alcolumbre a votar fim da escala 6x1

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Aliados de Lula esperam que o presidente convença Alcolumbre a votar a PEC da escala 6×1 no esforço concentrado, enquanto oposição e empresários tentam barrar a
proposta.
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esperam que o chefe do Executivo consiga convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), nesta quarta-feira (25/8), a levar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1 ao plenário durante o esforço concentrado do Congresso. Os chefes dos Poderes se reúnem para discutir a pauta da segunda semana de esforço concentrado antes das eleições municipais, em mais um gesto de reaproximação após meses de estranhamento. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também participa do encontro e é considerado outro defensor do fim da escala 6×1. Alcolumbre encaminhou a matéria sobre a redução da jornada de trabalho para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na última sexta-feira, após segurar a proposta por mais de 80 dias.
No colegiado, a PEC será relatada pelo líder do PSD, Omar Aziz (AM), que defende a manutenção do texto aprovado pela Câmara e a sua admissibilidade. Aziz deve apresentar seu relatório ainda esta semana, com expectativa de votação já na semana de 31 de agosto, período do esforço concentrado. Após essa etapa, a PEC estará regimentalmente habilitada para seguir ao plenário do Senado, onde será discutido o mérito da proposta. No entanto, as regras do Senado determinam que emendas constitucionais precisam passar por cinco sessões de discussão e dois turnos de votação, rito que, se seguido integralmente, inviabilizaria o encerramento da tramitação ainda na próxima semana.
Alcolumbre tem defendido o cumprimento do rito constitucional e afirmado que o Senado "não pode ser a Casa carimbadora" de propostas vindas da Câmara. O senador amapaense adotou esse discurso durante o período de distanciamento de Lula e havia garantido a aliados da oposição que a proposta só seria votada após as eleições de outubro. Contudo, aliados passaram a perceber Alcolumbre mais próximo e pressionado pelo governo. Líderes ouvidos pelo Metrópoles afirmam que o senador amapaense dificilmente dirá não a Lula nesse novo momento de aproximação entre os dois. Integrantes do governo, incluindo o próprio Lula, insistem que a matéria já é amplamente conhecida pelo Congresso e está pronta para ser votada em plenário na semana seguinte.
Em publicação nas redes sociais, o petista declarou ter "certeza que o presidente Alcolumbre" vai votar a proposta e que "aqueles que são contra, porque acham que é um compromisso para mim, estão equivocados".
Diante da iminência da chegada da PEC ao plenário, empresários e representantes de sindicatos patronais retornam ao Senado durante o esforço concentrado para tentar convencer Alcolumbre a não quebrar o interstício da proposta, defendendo que a votação sobre a redução da jornada de trabalho ocorra somente após as eleições. O presidente do Senado chegou a se reunir com empresários antes e depois da PEC chegar à Casa, e, segundo fontes presentes nos encontros, Alcolumbre se comprometeu a dar uma discussão ampla à proposta.
Esses setores pretendem lembrá-lo desse compromisso e atuam em conjunto com a oposição, que também tenta adiar o debate para o período pós-eleitoral. As articulações são lideradas pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Marinho chegou a apresentar uma PEC alternativa baseada na remuneração por hora trabalhada, proposta que foi despachada por Alcolumbre antes mesmo da PEC originária da Câmara.