Alcolumbre elogia encontro com Lula, mas descarta calendário para PEC do 6x1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) - Crédito: José Cruz/Agência Brasil
Presidente do Senado afirma que encontro tratou da "relação institucional do futuro", mas não define data para votar a PEC 6x1
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), elogiou nesta quarta-feira a reunião realizada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que os dois trataram da “relação institucional do futuro”, sem abordar os episódios que geraram o distanciamento entre eles nos últimos meses.
Apesar da retomada do diálogo com o Palácio do Planalto, Alcolumbre deixou claro que ainda não há calendário definido para a votação da PEC que extingue a escala de trabalho 6x1.
Questionado se a relação com o Planalto havia entrado em clima de “paz e amor”, o presidente do Senado pediu cautela e classificou o encontro como estritamente institucional.
— Calma, foi uma reunião institucional. Muito boa, inclusive! Nós conversamos da relação institucional do futuro. Não falamos nada do passado — afirmou.
Lula e Alcolumbre se reuniram nesta manhã no Palácio da Alvorada, em um encontro que representou o segundo contato entre os dois após cerca de três meses de afastamento.
O distanciamento teve origem na rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na semana anterior, os dois já haviam se encontrado em uma reunião organizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, com a participação do ministro Cristiano Zanin.
O encontro desta quarta-feira foi articulado para discutir a retomada da agenda de interesse do governo no Congresso.
O Planalto busca avançar, antes das eleições, com propostas que estão paradas no Senado, entre elas a PEC da escala 6x1 e a PEC da Segurança Pública, ambas já aprovadas pela Câmara.
Ao ser questionado diretamente sobre quando pretende colocar a proposta que acaba com a escala 6x1 em votação, Alcolumbre reafirmou a ausência de data definida e voltou a destacar a recomposição do diálogo entre os Poderes.
— Calma! Não tem calendário. Teve uma reunião institucional muito importante para a democracia. Porque o presidente do Congresso precisa ter o diálogo aberto com o presidente do Brasil. E esse diálogo foi restabelecido. Tanto que nós já tivemos duas reuniões, todas muito boas e produtivas, pensando no Brasil. Esse é o meu papel e eu creio que é o dele também — disse.
A ausência de um calendário contrasta com a pressão do governo para votar a PEC antes do primeiro turno.
A campanha de Lula enxerga o fim da escala 6x1 como uma de suas principais bandeiras eleitorais e intensificou nos últimos dias a cobrança para que a proposta avance no Senado.
Na terça-feira, o próprio presidente afirmou nas redes sociais que os trabalhadores “não podem mais esperar” pela aprovação da medida.
Após a reunião, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o diálogo entre Lula e Alcolumbre estava restabelecido e que as pautas de interesse do Executivo haviam sido “destravadas”.
Segundo ele, porém, o ritmo de tramitação dependerá das negociações conduzidas pelo presidente do Senado.
— Agora é pé na estrada, diálogo, conversa para ver o timing de como é que as matérias vão tramitar, porque depende do presidente do Senado — afirmou Guimarães.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), também disse que Alcolumbre se mostrou “muito aberto” durante a conversa, mas evitou garantir que a PEC da escala 6x1 será votada antes da eleição.
Segundo ela, caberá aos dois conduzir a interlocução com os senadores para definir os próximos passos da proposta.
O esforço de reaproximação ocorre após meses de tensão entre Alcolumbre e o Planalto.
A relação se deteriorou depois que o Senado rejeitou a indicação de Messias ao Supremo, impondo uma derrota inédita a Lula.
Desde então, propostas consideradas prioritárias pelo governo deixaram de avançar na Casa.