RJ: Aposentada perde R$ 37 milhões em golpe e suspeito é preso ao tentar fugir

Esquema já movimentou R$ 295 milhões de reais em um dia em conversão de fiat para criptomoeda • Polícia Civil do Rio Grande do Sul
Homem ligado a esquema que lesou aposentada em R$ 37 mi foi detido no Aeroporto Santos Dumont antes de embarcar para SC
Um dos principais suspeitos de integrar um esquema de falsos investimentos que causou um prejuízo de R$ 37 milhões a uma aposentada de 70 anos foi preso nesta manhã no Aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio de Janeiro.
O homem, dono de uma instituição financeira, atuava na ocultação do dinheiro da quadrilha e tentava embarcar para Navegantes (SC) quando foi detido pela Polícia Federal.
A prisão ocorre no âmbito de uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, que cumpre mandados de prisão preventiva contra dez pessoas.
O delegado Eibert Moreira relatou que identificou que o suspeito tinha um voo saindo do Aeroporto Santos Dumont e acionou a Polícia Federal para prendê-lo antes da decolagem.
Na quinta-feira, quando a operação foi iniciada, foram cumpridos todos os mandados de busca e apreensão e presos dois dos investigados. Ainda há sete suspeitos a serem capturados, e as ações policiais continuam nesta sexta-feira.
Como o golpe foi aplicado
A investigação teve início após a aposentada relatar à polícia um prejuízo superior a R$ 37 milhões.
"Ela recebeu esses valores de uma herança e gostava de fazer esses investimentos. Ela tinha um perfil muito agressivo nos investimentos, tanto que o corretor dela incentivava a fazer uns menos agressivos, mas ela gostava de apostar alto", contou o delegado.
A vítima retirou seu dinheiro de uma corretora lícita e o direcionou para a organização criminosa sem saber se tratar de uma fraude.
Segundo os investigadores, ela foi submetida a um processo gradual de convencimento, com pagamentos feitos em partes sob a promessa de retornos financeiros.
Inicialmente, a aposentada foi inserida em grupos de mensagens que simulavam comunidades legítimas de estudo e investimentos no mercado financeiro.
Nesses grupos, havia supostos especialistas, assistentes e outros participantes que interagiam para criar aparência de profissionalismo e segurança, apresentando análises de mercado, orientações financeiras e resultados aparentemente positivos.
Quando a vítima tentava retirar o dinheiro, os saques eram bloqueados. A partir daí, surgiam novas exigências financeiras, como supostas taxas, impostos ou valores necessários para a liberação do patrimônio.
Laranjas e movimentação financeira
A quadrilha usava laranjas e mantinha uma cadeia de movimentação dos valores.
Os criminosos captavam pessoas para figurarem como titulares de empresas e contas bancárias.
Após a entrada nas primeiras contas, os valores eram distribuídos para outros CNPJs e intermediadores financeiros. Em algumas situações, as cifras eram convertidas em criptoativos.
O rastreamento financeiro demonstrou que, em um dos caminhos analisados, foram convertidas aproximadamente 675 mil unidades de USDT em apenas três dias.
"A investigação identificou sucessivas etapas de pulverização e concentração dos recursos, com movimentações realizadas em períodos extremamente curtos."
A apuração identificou ao menos 140 potenciais vítimas nos ambientes digitais.
Após a operação, os agentes farão análise do material apreendido, identificação de novos lesados e outros possíveis envolvidos, além da localização de bens e valores passíveis de recuperação.
Os nomes dos alvos não foram divulgados, impossibilitando a localização de suas defesas.
Entre os investigados estão empresários, administradores de empresas, operadores financeiros, pessoas ligadas à operacionalização de contas bancárias e uma profissional do sistema bancário.