Piloto de paramotor morre após linha chilena cortar asa durante voo em SP

Adriano Azevedo dos Santos morreu após cair de 10 metros de paramotor em Itanhaém (SP) — Foto: Arquivo Pessoal
Piloto de 41 anos estreava nova asa quando linha chilena de pipa atingiu o equipamento em Itanhaém, no litoral de São Paulo
Adriano Azevedo dos Santos, de 41 anos, morreu após cair de aproximadamente 10 metros enquanto voava de paramotor em Itanhaém, no litoral de São Paulo.
O piloto estreava uma nova asa do equipamento quando uma linha chilena de pipa atingiu o velame e causou a perda de sustentação.
Um vídeo gravado pelo instrutor dele registrou a decolagem momentos antes do acidente.
Adriano foi socorrido com vida no domingo (23), mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital na segunda-feira (24).
O caso foi registrado como morte suspeita no 2º Distrito Policial de Santos, cidade onde a vítima veio a falecer.
O instrutor Reinaldo Sanches, que participou da formação de Adriano como piloto e se tornou amigo dele, acompanhava o voo de estreia da nova asa.
"Como ele já tinha mais experiência, ele já estava trocando de asa. Ele saiu de uma outra, pegou essa nova e foi fazer um voo inaugural dessa asa dele, que era novinha", afirmou Sanches ao g1.
Segundo o instrutor, a decolagem transcorreu sem problemas. "Ele decolou muito bem", disse.
Cerca de 15 minutos depois, uma linha cortante de pipa atingiu o velame do equipamento, provocando a queda.
Sanches explicou o que acontece com a asa ao ser cortada: "É uma asa flexível, é um pano, um tecido que, inflado, se torna uma asa. Só que, quando ele está murcho, não [sustenta]".
Do socorro à morte
De acordo com a Prefeitura de Itanhaém, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) socorreu Adriano Azevedo dos Santos no local do acidente.
Os profissionais constataram trauma com hematoma frontal, fratura na tíbia e escoriações, sendo necessárias manobras de reanimação cardiopulmonar.
O piloto foi encaminhado ao Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande, e posteriormente transferido para o Hospital Ana Costa, em Santos, onde morreu na segunda-feira (24).
Morador de Cubatão, Adriano Azevedo dos Santos trabalhava como encarregado de máquinas pesadas em Guarujá.
Era casado havia mais de duas décadas com a cabeleireira Ivaneide da Silva Vicente e tinha uma filha de 16 anos.
"Foi um pai dedicado e um marido companheiro. Um homem trabalhador, generoso e apaixonado pela família", afirmou a viúva.
Segundo Ivaneide, o marido havia encontrado no paramotor um hobby ao qual se dedicava há cerca de dois anos.
"Descobriu no voo uma nova versão dele, experiências, desafios, novos amigos. Era uma nova fase, fazendo algo que ele nunca imaginou vivenciar", disse.
O corpo de Adriano Azevedo dos Santos foi velado e sepultado na quarta-feira (26), em Cubatão.
Em nota, a Prefeitura de Itanhaém informou que uma lei municipal proíbe o uso, o fornecimento e a venda de cerol, linha chilena e outros materiais cortantes em pipas e similares.
A administração municipal destacou ainda que "os pais e/ou responsáveis legais respondem civilmente pelos ilícitos praticados por seus filhos menores, ou representados legais, nos termos do disposto no art. 932 da Lei federal nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil".
A Guarda Civil Municipal de Itanhaém informou que não recebeu nenhuma denúncia de uso de cerol no domingo do acidente.