Polícia Civil reclassifica morte e homem é indiciado por feminicídio da namorada

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Suspeito foi preso após morte de Giovanna Rocha ser reclassificada de suicídio para feminicídio pela PCMG em BH
Adalton Martins Gomes, de 45 anos, foi indiciado por feminicídio majorado consumado pela morte de sua namorada, Giovanna Neves Santana Rocha, de 22 anos. A informação foi confirmada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) nesta terça-feira (11). O caso, que inicialmente havia sido tratado como suicídio, passou a ser investigado como homicídio após contradições no depoimento do suspeito e os resultados do laudo de necropsia. Giovanna foi encontrada sem vida no apartamento onde morava, localizado na Savassi, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, no dia 9 de fevereiro. A PCMG também representou pela manutenção da prisão preventiva de Adalton Martins Gomes, que foi preso no dia 15 de fevereiro.
A jovem foi encontrada morta por uma amiga que havia marcado um almoço com ela naquele dia. Giovanna estava sem roupas, sobre a cama e já sem vida. De acordo com a delegada da PCMG Ariadne Elloise Coelho, elementos como caixas de medicamentos espalhados pela casa e o histórico depressivo da jovem foram interpretados, a princípio, como possível autoextermínio.
No entanto, as amigas da vítima suspeitaram desde o início que o caso não se tratava de suicídio. Além disso, "em observância às tratativas internacionais e nacionais sobre morte de mulheres, não se pode descartar um possível feminicídio de antemão", explicou Ariadne Elloise Coelho, titular do núcleo especializado de investigação de feminicídios vinculado ao Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
A relação entre Giovanna e Adalton Martins Gomes passou a ser investigada pelas autoridades. Segundo a delegada, o namoro teve início em outubro de 2025 e, já no primeiro mês de relacionamento, o suspeito se mudou para a casa da jovem sem ser convidado, levando seus pertences aos poucos. Ele também transferiu as contas do condomínio para o seu nome. Adalton Martins Gomes é servidor concursado e formado em tecnologia da informação. "As amigas, familiares e a mãe da vítima falam que ela mudou totalmente o comportamento a partir do momento que teve um relacionamento com o investigado. Ou seja, era uma menina interessada, engajada na questão acadêmica, fazia duas faculdades — uma de psicologia e outra de gestão da saúde — era vaidosa, tinha um engajamento muito forte no feminismo e, a partir do momento [que inicia o namoro], ela se retrai socialmente, muda até o tipo de roupa que usa", relatou a delegada responsável pelo caso.
A policial também destacou que Giovanna demonstrava uma dependência psicológica em relação ao namorado. Segundo Ariadne Elloise Coelho, Adalton Martins Gomes passou a exercer um certo controle sobre a vida da jovem, levando inclusive os filhos que tinha com outra mulher para o apartamento dela, mesmo sem o consentimento de Giovanna.
As ações do suspeito após a morte da jovem também chamaram a atenção das investigadoras. "Ele ajuizou uma ação de reconhecimento de união estável pós-mortem. Ele mandou vários áudios para amigas [da vítima], inclusive para uma delas de forma mais insistente, até intimidatória, para que ela o ajudasse nesse reconhecimento formal da união estável", disse a delegada.
A ação foi ajuizada no dia do enterro de Giovanna. Além disso, Adalton Martins Gomes enviou um áudio afirmando: "Ela morreu nos meus braços". A delegada aponta que a informação é contraditória, visto que quem acionou a polícia no dia da morte foi uma amiga da vítima. Porteiros do prédio onde Giovanna morava também relataram que, cerca de um mês após a morte da estudante, o homem passou a levar outras mulheres ao apartamento e teria impedido a entrada de pessoas ligadas à vítima no imóvel.
Os indícios levantados durante a investigação foram corroborados pelo laudo de necropsia, que indicou que Giovanna morreu por asfixia por sufocação direta. "Houve obstrução externa dos orifícios respiratórios, seja por meio de um travesseiro, seja por meio das próximas mãos", explicou Ariadne Elloise Coelho. A polícia também apura informações de que o homicídio pode ter tido motivações patrimoniais. Segundo as investigações, Giovanna teria cerca de R$ 200 mil para receber de uma negociação imobiliária, o que reforça a linha de investigação sobre possíveis interesses financeiros por parte de Adalton Martins Gomes.