Zema ironiza sumiço de acervo em palácio de MG

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Ex-governador minimiza denúncias sobre desaparecimento de bens do Palácio das Mangabeiras e sugere "armação" no caso
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), reagiu com ironia nesta sexta-feira (10/7) às denúncias sobre o suposto desaparecimento de itens do acervo do Palácio das Mangabeiras. Durante visita ao Mercado Central, em Belo Horizonte, Zema minimizou as acusações e sugeriu que o caso pode ser uma "armação". Ao comentar as suspeitas, Zema argumentou que a economia gerada por não ter residido na residência oficial seria mais do que suficiente para cobrir o valor dos bens apontados como desaparecidos. "Eu economizei, no mínimo, R$ 300 mil a R$ 400 mil por mês morando na minha casa. Essa economia, se tem alguma coisa de lá que sumiu, e não sumiu, um mês de economia paga tudo esses móveis velhos que estavam lá", declarou.
Na sequência, Zema traçou um paralelo com o episódio envolvendo os móveis do Palácio do Planalto, após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando o petista alegou o sumiço de itens que antes estavam sob a gestão do então presidente Jair Bolsonaro (PL). "Quando o Lula assumiu, falou que os móveis do Bolsonaro tinham sumido do Palácio do Planalto. Depois encontraram tudo armazenado no porão. Então parece também que tem um pouco aí de armação, de coisa proposital", afirmou.
O atual governador do estado, Mateus Simões (PSD), que acompanhava Zema durante a visita ao Mercado Central, também se pronunciou sobre o caso. Simões afirmou que as obras de arte supostamente desaparecidas foram transferidas ao Palácio da Liberdade e que os livros estão guardados na biblioteca pública. "É um acervo reservado, tem que pedir para consultar, porque são livros muito especiais. E cultura é isso, né gente? É obra de arte livre", disse o governador. As declarações ocorreram poucos dias após o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) abrir um processo para apurar o suposto desaparecimento de parte do acervo do Palácio das Mangabeiras. O procedimento tramita sob sigilo.
O caso ganhou repercussão após uma fiscalização realizada pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que apontou o desaparecimento de obras de arte, pratarias, louças, móveis, equipamentos e livros pertencentes ao patrimônio da antiga residência oficial dos governadores. Diante das suspeitas levantadas, a comissão anunciou o encaminhamento de uma representação à Polícia Federal. O governo de Minas Gerais nega qualquer irregularidade e sustenta que todos os bens foram devidamente inventariados e transferidos de forma legal para órgãos estaduais, permanecendo registrados nos sistemas de controle patrimonial. No entanto, até o momento, os inventários não foram oficialmente apresentados.