Ainda sem vice, Zema é oficializado candidato à Presidência pelo Novo

Ex-governador de Minas Gerais critica PT e STF em convenção do partido Novo em Brasília e mira eleição presidencial
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema foi oficializado pelo partido Novo como candidato à Presidência da República em convenção realizada nesta terça-feira, em Brasília. Durante o evento, Zema direcionou críticas ao PT de Lula e ao STF (Supremo Tribunal Federal), mas evitou atacar diretamente Flávio Bolsonaro (PL), que lidera as pesquisas entre os candidatos da direita. O discurso de Zema teve como principal alvo o PT, partido que tem Lula numericamente à frente nas pesquisas eleitorais. "A minha bandeira é estar contra o PT, eu vi o PT destruir o Brasil", afirmou o candidato durante a convenção.
Em tom mais contundente, acrescentou: "Não falta recurso no Brasil, sobra ladrão, e nós vamos acabar com isso." Sobre Flávio Bolsonaro, Zema preferiu poupar o adversário de críticas diretas. "O que eu tinha de falar sobre o candidato já disse, já me manifestei. Como disse agora há pouco, tudo acontece numa eleição. Não tem nada que é tão incerto, que muda tanto. Já tivemos aqui no Brasil eleições que tiveram mudanças muito maiores do que qualquer um seria capaz de prever", declarou. Anteriormente, Zema havia criticado os diálogos do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o que lhe rendeu críticas de setores conservadores. O STF também foi alvo das declarações de Zema na convenção. "Alguns ministros do STF são uma vergonha não só para o STF como para o Brasil", disse ele.
Caso eleito, o candidato pretende implementar a idade mínima de 60 anos para indicados ao Supremo e "acabar com as decisões monocráticas, principalmente no que diz respeito a pautas do Legislativo". Zema chegou a falar em necessidade de "impeachment de frutas podres que estão no Supremo", citando nominalmente os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. "Eu acho que todos nós sabemos que temos dois ministros envolvidos até o pescoço com o banqueiro bandido e um terceiro, nem tanto, mas envolvido com patrocínio de congressos jurídicos", afirmou.
Em entrevista concedida após ser oficializado candidato à Presidência, Zema reforçou sua posição: "Não tenho o que esconder, não fui eu que andei no jatinho do banqueiro bandido, que tenho ele na minha agenda de celular etc. Nunca nem escutei a voz do dito cujo." A escolha do vice na chapa de Zema ainda não foi definida. O candidato afirmou que as conversas seguem em andamento dentro do partido e que há a possibilidade de uma chapa pura, com ambos os integrantes sendo do Novo. O partido pode homologar apenas o candidato titular e delegar a decisão à Executiva Nacional, com prazo até 15 de agosto para a oficialização.
Zema mencionou que se encontrou com o ex-ministro Joaquim Barbosa para uma conversa preliminar. "Tive uma conversa muito breve com ele. Não temos nada definido. Devemos marcar outra conversa, mas depende de o partido afinar, concordar com o nome", disse o candidato. Ele ainda elogiou o ex-ministro: "Joaquim Barbosa foi, com toda certeza, o ministro que nunca fez nada que desabone a conduta dele. Nunca teve contrato milionário, teve uma carreira irretocável." No campo econômico, Zema se intitulou "totalmente favorável à privatização", argumentando que as estatais são estratégicas para os políticos, e não para a sociedade. O candidato afirmou ter privatizado 118 empresas durante seus dois mandatos à frente do governo de Minas Gerais, apresentando esse histórico como parte central de sua plataforma para a disputa presidencial.