Lula conversa com Xi Jinping sobre acordo Mercosul-China e conflitos

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Em ligação de mais de uma hora, Xi Jinping e Lula discutiram acordo Mercosul-China, conflitos globais e cooperação estratégica
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente chinês Xi Jinping realizaram uma conversa telefônica na noite do último domingo (26/7), com duração superior a uma hora. Entre os temas abordados, os dois líderes discutiram a possibilidade de acelerar as negociações para um acordo comercial entre a China e o Mercosul, além de questões geopolíticas globais. No campo comercial, o Palácio do Planalto informou, em nota divulgada na manhã desta segunda-feira (27/7), que "ambos coincidiram a respeito da importância de acelerar as tratativas para um acordo Mercosul-China, que contemple as necessárias flexibilidades".
Os presidentes também trataram de ampliar a cooperação em setores estratégicos. Segundo o comunicado, "ambos reiteraram o propósito compartilhado de ampliar a cooperação em áreas estratégicas e de alta tecnologia, como inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes". Xi Jinping declarou ainda apoio ao Brasil "na defesa de sua soberania e independência, na oposição à interferência externa e na contribuição para a manutenção da paz e da estabilidade regional e mundial". A nota do Planalto não menciona os Estados Unidos nem Donald Trump, mas a ligação ocorreu quatro dias após a entrada em vigor de novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros, com uma alíquota adicional de 25% incidindo sobre cerca de 3 mil itens.
Os dois líderes também debateram os conflitos armados em curso no mundo. "Lula e Xi lamentaram a proliferação dos conflitos ao redor do mundo e seus impactos sobre a segurança alimentar e energética global, além das graves perdas humanas e materiais", registra a nota. Ao tratar da crise no Oriente Médio, "concordaram que as restrições à livre navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb têm efeitos nefastos sobre a economia mundial", sem que o comunicado cite diretamente os EUA, Israel ou Irã. Sobre a situação em Gaza, "os presidentes expressaram profunda preocupação com a continuidade da situação humanitária".
Em relação à guerra na Ucrânia, "ambos concordaram que o Grupo de Amigos da Paz pode desempenhar um papel relevante na retomada das negociações para o fim" do conflito. Os dois líderes também "criticaram a incapacidade do Conselho de Segurança das Nações Unidas de responder adequadamente a essas crises e observaram que o próximo ou a próxima Secretária-Geral da ONU enfrentará um cenário internacional particularmente desafiador". Por fim, o comunicado destaca que "Lula e Xi reiteraram o compromisso de Brasil e China com a defesa do multilateralismo e concordaram em manter estreita coordenação sobre esses e outros temas da agenda internacional no mais alto nível na ONU, nos Brics e outros fóruns".