Vorcaro citou Silveira como favorável ao Master

Ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia | Foto: Agência Brasil
Banqueiro Daniel Vorcaro mencionou o ministro Alexandre Silveira em diálogo interceptado pela PF como apoiador da venda do Master ao BRB
O banqueiro Daniel Vorcaro incluía o ministro Alexandre Silveira entre os possíveis integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que seriam favoráveis à venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). O nome de Silveira foi citado por Vorcaro em um diálogo reservado com um repórter, interceptado pela Polícia Federal (PF) em agosto de 2025. Ao avaliar o cenário político em torno da negociação, Vorcaro mencionou o ministro de Minas e Energia ao ponderar que existiria uma ala do governo Lula disposta a apoiar a venda ao BRB, mesmo diante da resistência do então ministro da Fazenda Fernando Haddad.
No mesmo cálculo, o dono do Master incluiu o então ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e o então líder do Palácio do Planalto no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). O Banco Central (Bacen) acabou barrando a venda do Master ao BRB apenas 15 dias após essa projeção pessoal de Vorcaro. A anuência do Bacen era a última etapa necessária para concluir a operação, uma vez que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já havia aprovado a compra, avaliada naquele momento em R$ 2 bilhões por 58% do capital total do banco. A tentativa frustrada com o BRB foi a penúltima movimentação de Vorcaro para garantir uma sobrevida ao Master. Dois meses depois, o banqueiro articulou uma operação com a Fictor Holding Financeira.
No entanto, no dia seguinte ao anúncio do acordo, a PF o prendeu no Aeroporto de Guarulhos (SP), quando estava prestes a embarcar em um voo para Malta, na Europa, sob suspeitas de tentativa de fuga. À frente do Ministério de Minas e Energia desde 2023, Silveira não figura entre os investigados pela PF na operação Compliance Zero.
A PF reproduziu o diálogo interceptado com o objetivo de destacar a relação entre Jaques Wagner e Vorcaro. O senador é suspeito de ter recebido propina do Master por meio de um apartamento de R$ 2,45 milhões no bairro Horto Florestal, em Salvador (BA), registrado em nome de uma empresa da nora, além do empréstimo de aeronaves e de ingressos para um show da cantora norte-americana Taylor Swift. Em contrapartida, Jaques teria atuado para atender aos interesses do Master no Senado. O ex-líder do governo Lula teria apresentado uma emenda a uma medida provisória para triplicar o limite de juros do crédito consignado em relação à taxa média dos Certificados de Depósito Interbancário (CDIs), índice utilizado nos empréstimos entre bancos. A PF encaminhou os indícios ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça no mês passado, em 9 de junho, por meio de uma representação para solicitar acesso às antenas de telefonia (ERBs) e aos registros de chamadas de Jaques Wagner. O relator levantou o sigilo da investigação apenas nesta quinta-feira (30/7).