Sobe para 3.535 o número de mortos após terremotos na Venezuela

Foto: X/Reprodução
Dois brasileiros estão entre as vítimas dos terremotos na Venezuela; ONU estima 50 mil desaparecidos e país recebe ajuda internacional
O número de mortos após os terremotos que devastaram a Venezuela subiu para 3.535, conforme novo balanço divulgado pelas autoridades do país. Além das vítimas fatais, os abalos deixaram 16.740 pessoas feridas e 17.854 desabrigadas, enquanto moradores seguem tentando recuperar os corpos de seus entes queridos entre os escombros.
La Guaira é o principal foco da destruição, com prédios inteiros desabados, moradores transferidos para abrigos temporários e equipes de resgate ainda atuando no local. O governo venezuelano não divulgou um número oficial de desaparecidos, mas a ONU estima que 50 mil pessoas ainda possam estar nessa situação.
A Venezuela tem recebido equipes de socorro de diversas partes do mundo. Na última semana, a China anunciou o envio de US$ 14,7 milhões em ajuda humanitária e o fornecimento de imagens de satélite das áreas afetadas para auxiliar nas operações de resgate.
Brasileiros entre as vítimas
Ao menos dois brasileiros morreram em decorrência dos terremotos. Em nota, o Itamaraty lamentou as mortes e informou que as vítimas eram um homem e uma mulher.
O homem é Romildo Batista de Lima, de 69 anos, morador de Uberlândia (MG). Ele morreu na última quarta-feira (24) quando uma parede desabou sobre ele durante uma viagem à Venezuela. Romildo estava no país desde abril com a esposa, que é venezuelana e visitava a família. O pastor também aproveitava a viagem para comemorar seu aniversário, celebrado no dia 21.
A outra vítima brasileira é Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos, moradora do Distrito Federal. "Infelizmente uma fatalidade ocasionada pelos terremotos na Venezuela, mais precisamente na zona costeira de La Guaira, tirou essa pessoa maravilhosa do nosso meio", disse o irmão dela, Thiago Nogueira.
A sequência dos abalos
O primeiro tremor, de magnitude 7,2, atingiu San Felipe, a oeste de Caracas, na quarta-feira. Dados do USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos) indicam que ele pode ter aumentado a tensão em outra falha geológica próxima, a pouco mais de 5 km de distância. Isso desencadeou um segundo terremoto, de magnitude 7,5, apenas 39 segundos depois.
O evento ocorreu a uma profundidade relativamente rasa e foi sentido até o norte do Brasil. O primeiro abalo já havia enfraquecido estruturas e comprometido fundações. O segundo impacto, mais intenso, provocou desabamentos imediatos, sobretudo na capital, Caracas.
A extensão da destruição sugere que o número real de vítimas pode ser muito maior do que o registrado até agora. Para efeito de comparação, terremotos de magnitude semelhante causaram mais de 200 mil mortes no Haiti em janeiro de 2010, 73 mil mortes na Caxemira em outubro de 2005 e quase 53,5 mil mortes na fronteira entre Turquia e Síria em fevereiro de 2023.
O cenário na Venezuela segue crítico, com operações de resgate em andamento e a comunidade internacional mobilizada para apoiar o país diante de uma das maiores tragédias de sua história recente.