Venezuela é acusada de dificultar atuação de equipes de resgate

Destruição causada por terremotos na Venezuela • CNN
Organizações humanitárias denunciam que o governo da Venezuela impede equipes de resgate de atuarem após terremotos mortais
Organizações humanitárias internacionais denunciam que o governo da Venezuela está impondo entraves ao trabalho de equipes de resgate e ajuda humanitária no país, uma semana após os terremotos mortais que atingiram a nação.
As buscas por desaparecidos continuam, e a chamada "janela de ouro" para encontrar vítimas com vida diminui a cada hora. Ainda assim, resgates seguem sendo realizados, como o de um homem salvo nesta quinta-feira (2) após passar oito dias soterrado sob escombros.
Equipes internacionais foram mobilizadas para auxiliar nas operações na Venezuela, incluindo grupos brasileiros que chegaram ao país em voos humanitários. Bombeiros de Minas Gerais iniciaram buscas por vítimas nos locais afetados, integrando uma missão humanitária brasileira que segue em atividade.
Um dos principais desafios logísticos na região é o deslocamento, com trânsito extremamente intenso nas áreas atingidas.
Além das dificuldades operacionais, diversas organizações de ajuda denunciam que o governo venezuelano proibiu a entrada de determinados grupos ou dificulta o trabalho de socorristas que já estão no país.
A Amavex, organização beneficente criada nos Estados Unidos, publicou nas redes sociais relatos de bombeiros venezuelanos que afirmaram ter sido impedidos de acessar locais de operação. Imagens divulgadas mostram um bloqueio realizado pela Polícia Nacional Bolivariana, com um dos bombeiros discutindo com um agente da corporação.
"Quando vidas estão em risco, não pode haver obstáculos. A prioridade deve ser salvar vidas, auxiliar as vítimas e apoiar aqueles que realizam o trabalho mais árduo", destacou a organização.
A ISAR Germany afirmou no domingo (28) que a equipe médica de emergência que comandaria teve autorização de entrada negada na Venezuela, "apesar de a Venezuela ter sinalizado anteriormente a necessidade de apoio médico internacional".
Citando a OMS e a ONU, a organização alemã informou que o Ministério da Saúde da Venezuela "decidiu, em cima da hora, não permitir a entrada de unidades de ajuda médica internacional no país neste momento (até 28 de junho de 2026)".
A equipe era composta por 41 especialistas voluntários em resposta a desastres e estava pronta para embarcar rumo à Venezuela, juntamente com equipamentos necessários. Não há informações confirmadas sobre se o grupo conseguiu entrar no país.
Outro relato preocupante veio de Francisco Lermanda, representante da equipe de resgate Topos de Chile, que declarou à imprensa venezuelana na segunda-feira (29) que militares do país estão interrompendo os esforços de busca para exigir documentos de identificação dos socorristas, sob a suspeita de que possam ser espiões.
Ao Monitoreamos, Lermanda alegou que um soldado foi questionado por um integrante da equipe de ajuda, pontuando que tinha ordens para verificar os resgatistas periodicamente.