Vendaval com rajadas de 125 km/h mata 5 em SP e RJ

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Vendaval com ventos de até 125 km/h causou mortes, apagões e paralisou transportes em São Paulo e no Rio de Janeiro
Rajadas de vento que chegaram a 125 km/h provocaram destruição e deixaram ao menos cinco mortos nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro na quarta-feira (29). A ventania interrompeu o fornecimento de energia para centenas de milhares de consumidores, prejudicou operações em aeroportos e trouxe transtornos à rotina das duas maiores cidades do país. A primeira vítima foi registrada em Santos, no litoral de São Paulo, onde o vendaval chegou a rajadas de até 111,8 km/h por volta das 12h40. Um homem em situação de rua morreu após ser atingido por uma árvore que caiu sobre a avenida Almirante Cochrane, na região do Canal 5.
A prefeitura registrou ainda 23 quedas de árvores, seis quedas de muros, destelhamento de casas e a queda de um contêiner no Porto de Santos, que atingiu a rede elétrica. A segunda morte ocorreu em Cesário Lange, na região de Sorocaba, onde uma árvore caiu sobre um carro e matou o motorista. A terceira vítima foi um homem de 50 anos que estava em um barco de pesca que naufragou na altura do bairro Cigarras, em São Sebastião, litoral norte do estado. Outras quatro pessoas que estavam na embarcação foram socorridas: duas apresentavam quadro clínico estável e duas estavam com hipotermia.
Houve ainda um acidente com um avião de pequeno porte na zona rural de Mogi Mirim, cujo piloto morreu carbonizado. As autoridades investigam se a queda foi causada pelo vendaval. As cidades paulistas com as rajadas mais intensas foram Itaporanga e Itaí, com ventos de 124,9 km/h, segundo a Defesa Civil. Em Taquarituba, os ventos chegaram a 117 km/h, e em Itanhaém, a 103 km/h. Na região metropolitana de São Paulo, a Defesa Civil registrou 75,3 km/h no bairro da Saúde e 71 km/h em São Caetano do Sul. No aeroporto de Congonhas, as rajadas chegaram a 70,4 km/h. Os ventos começaram a atingir a capital paulista no início da tarde, levando a Defesa Civil estadual a disparar, às 13h50, um alerta severo sobre fortes rajadas na região. "Busque abrigo e evite áreas descobertas. Não fique embaixo de árvores e postes", dizia o comunicado. Foram registrados mais de 40 avisos de árvores derrubadas ao longo do dia, conforme os bombeiros.
A Enel informou que 106 mil clientes chegaram a ficar sem energia na área de concessão, que abrange a cidade de São Paulo e a Grande SP. Na capital, o pico do apagão foi de 62 mil imóveis sem luz. Às 20h28, os números haviam caído para 48,4 mil e 38,9 mil, respectivamente. No aeroporto de Congonhas, ao menos 30 voos foram afetados. A concessionária Aena informou que oito chegadas e sete partidas foram canceladas, além de 15 voos alterados. Em Guarulhos, dois voos precisaram ser desviados para outros aeroportos, segundo a Gru Airport. A concessionária orientou os passageiros a verificar a situação dos voos diretamente com as companhias aéreas antes de se deslocarem ao aeroporto. No Rio de Janeiro, o vendaval paralisou a circulação de trens e metrô e alterou o destino de quatro voos no aeroporto internacional do Galeão. O apagão atingiu todas as regiões da cidade e parte do estado, afetando cerca de 500 mil imóveis às 18h49.
A Light informou que o fornecimento na zona sul, centro e Tijuca havia sido restabelecido até o fim da tarde, embora outras áreas ainda seguissem sem energia. Duas pessoas morreram após o desabamento de um muro em Santa Teresa, na região central do Rio, conforme a Defesa Civil. Há ainda buscas por um pescador desaparecido em Angra dos Reis, no sul do estado. Até o início da noite, o Corpo de Bombeiros do Rio havia sido acionado para cinco desabamentos, 31 salvamentos de pessoas e 93 cortes de árvores. Na Barra da Tijuca, o empresário do setor de construção civil Paulo Edson Lamelha gravou em vídeo o momento em que três funcionários do condomínio Barra Bali ficaram pendurados em um andaime, na altura do oitavo andar, enquanto a estrutura balançava com a ventania. "Eles conseguiram segurar na sacada, ficaram cerca de uma hora nessa posição e saíram pela sacada de um apartamento", relatou Lamelha.
O vendaval interrompeu por completo a circulação do metrô nas linhas 1, 2 e 4, com composições parando no meio do trajeto pela falta de energia. Às 17h53, o MetrôRio informou que os intervalos dos trens estavam em processo de normalização nas linhas 1 e 4, mas a linha 2, que liga a zona sul à Pavuna, na zona norte, permanecia com circulação interrompida. O funcionamento do BRT também foi impactado, e a estação Dom Bosco, em Santa Cruz, foi fechada por danos ao telhado. A ponte Rio-Niterói registrou tráfego intenso, com o tempo de travessia chegando a 50 minutos no sentido Niterói e 38 minutos no sentido Rio, por volta das 17h40. Diante do avanço da ventania, o COR-Rio colocou a cidade em estágio 2 às 16h50, indicando risco de ocorrências de alto impacto com potencial de agravamento.
Segundo o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências) da Prefeitura de São Paulo, a ventania que atingiu a região Sudeste nesta quarta é resultado "do forte contraste térmico entre o ar quente que predomina sobre parte do sudeste e o ar frio com a aproximação do sistema frontal". Na capital paulista, a temperatura chegou a 29°C por volta das 13h no aeroporto de Congonhas, mas caiu rapidamente para 21°C às 13h30 com a entrada do vento frio, provocando rajadas de 70 km/h às 14h31. Na semana anterior, um vendaval com as mesmas características atingiu Ribeirão Preto com rajadas de até 121 km/h, levando a cidade a registrar sua maior tragédia climática em 32 anos. Uma pessoa morreu, cerca de 20 ficaram feridas e cinco hospitais públicos foram afetados.
O episódio também causou interrupção no abastecimento de água, falhas nos serviços de telefonia e internet e a queda de mais de 200 árvores sobre vias e a rede elétrica. O vendaval desta quarta-feira deixou um rastro de destruição em São Paulo e no Rio de Janeiro, com mortes, apagões generalizados, interrupção no transporte público e dezenas de ocorrências atendidas pelas equipes de emergência nas duas cidades.