Trump rouba a cena na final da Copa do Mundo

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Espanha vence a Argentina na prorrogação, Messi some em campo e Trump domina a cerimônia de encerramento no MetLife Stadium
A Espanha conquistou seu segundo título da Copa do Mundo neste domingo (19), em Nova York, ao derrotar a Argentina por 1 a 0 na prorrogação. A final e a cerimônia de encerramento ficaram marcadas pela superioridade espanhola, pela atuação discreta de Lionel Messi e pela presença constante de Donald Trump nas celebrações. A seleção espanhola controlou a posse de bola e impôs seu estilo de jogo durante praticamente toda a partida. O gol do título foi marcado por Ferran Torres, aos 106 minutos da prorrogação, após jogada iniciada por Pedri e assistência de cabeça de Nico Williams. Apesar do domínio espanhol, o placar demorou a ser aberto devido à resistência defensiva da Argentina e às boas defesas de Emiliano Martínez.
Para o jornal francês "L"Équipe", a conquista consolida uma era vitoriosa da Roja, que agora soma dois títulos mundiais e quatro conquistas europeias neste século, reforçando sua posição como principal seleção do futebol mundial na era moderna. O jornal destaca ainda a atuação decepcionante da Argentina, que só finalizou com perigo nos minutos finais e teve Lionel Messi praticamente ausente da decisão. A derrota argentina ficou marcada pela atuação discreta de Messi, que teve pouca influência na partida e passou boa parte do tempo sem receber bolas em condições de "assustar" o adversário.
Aos 39 anos, o craque argentino foi um "homem invisível", resumiu o "Le Monde". Após conduzir a Argentina ao longo do torneio com gols e assistências decisivos, Messi não conseguiu repetir o protagonismo no momento mais importante. A excessiva dependência da Albiceleste em relação ao camisa 10 ficou evidente diante da força coletiva da seleção espanhola. Além de perder o título mundial, Messi viu escapar a artilharia da competição e o posto de maior goleador da história das Copas, superado por Kylian Mbappé. A final pode ter representado sua despedida da seleção argentina, encerrando uma trajetória internacional extraordinária que, apesar do desfecho amargo, preserva seu legado como uma das maiores lendas do futebol.
Com 48 seleções, 104 partidas e organização compartilhada entre três países, o torneio não conseguiu despertar grande entusiasmo nos Estados Unidos, principal sede da competição. Segundo o jornal francês "Libération", a Copa foi salva pelos torcedores latino-americanos, especialmente argentinos, colombianos e mexicanos, além de escoceses e noruegueses, que animaram os estádios e as cidades-sede. Em boa parte do país, predominou um clima de indiferença em relação ao torneio, com exceção de Kansas City. Houve também críticas à infraestrutura esportiva dos Estados Unidos para o futebol. Os estádios foram apontados como estruturas projetadas para priorizar conforto e consumo, e não a pressão das arquibancadas.
Também foram questionadas as chamadas "pausas para hidratação", vistas por alguns observadores como interrupções comerciais disfarçadas. A realização da competição em três países representou ainda um enorme desafio logístico e ambiental, devido aos deslocamentos aéreos de torcedores, jornalistas e dirigentes. A cerimônia de entrega do troféu no MetLife Stadium foi marcada pelas vaias ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Fifa, Gianni Infantino. As relações entre Trump e o governo espanhol atravessam um momento de tensão, especialmente devido às divergências com o primeiro-ministro Pedro Sánchez sobre a posição da Espanha em relação ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Para o jornal "Le Figaro", as vaias acabaram se tornando um dos episódios mais simbólicos da cerimônia de encerramento do Mundial. Trump tentou se colocar no centro das atenções durante a premiação, sendo presença constante nas celebrações pós-jogo, participando da entrega dos prêmios individuais, das medalhas e do troféu, conforme lembrou o "Le Parisien". No momento mais simbólico da festa, Trump permaneceu ao lado dos jogadores espanhóis no palco da premiação, posicionando-se de forma a aparecer na foto oficial do título. Nem mesmo as tentativas de Gianni Infantino de afastá-lo do centro da comemoração surtiram efeito. A cena repetiu um comportamento já observado na Copa do Mundo de Clubes do ano anterior, quando Trump também buscou protagonismo na celebração dos campeões e transformou a cerimônia da principal competição do futebol em mais um palco para sua própria exposição, destacou o jornal. A Copa tende a ficar marcada mais pelo gigantismo de sua organização do que por sua capacidade de mobilizar o público americano em torno do futebol, e a presença de Trump nas celebrações tornou-se um dos símbolos mais comentados do encerramento do torneio.