Trump diz estar 'muito desapontado' com a Otan em cúpula da aliança

Donald Trump, presidente dos EUA — Foto: Evan Vucci
Trump critica aliados europeus na cúpula da Otan na Turquia e elogia Erdogan; acordos de defesa bilionários são anunciados
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou estar "muito decepcionado" com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) durante sua participação na cúpula da aliança militar realizada na Turquia. A declaração veio acompanhada de críticas diretas a aliados europeus que, segundo ele, não apoiaram os EUA nas operações contra o Irã.
Trump reclamou abertamente que a Otan não auxiliou os Estados Unidos nas ações militares contra o Irã. "Não fomos bem tratados porque fizemos algo no Irã", afirmou o presidente americano. "A Itália nos rejeitou, a Alemanha nos rejeitou e a França nos rejeitou", acrescentou, completando com a afirmação: "E, de certa forma, eu estava testando as pessoas".
Tensão com Meloni
Questionado sobre uma nova provocação direcionada à primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, Trump minimizou a publicação feita nas redes sociais. Ele disse considerar Meloni uma "pessoa agradável", mas reconheceu que o relacionamento entre os dois "ficou um pouco ruim porque ela se recusou a nos ajudar", referindo-se à negativa italiana em participar mais ativamente dos esforços para reabrir o Estreito de Ormuz. "Ela simplesmente não estava presente para nós, e eu não gostei disso", declarou.
No domingo (5), Trump havia publicado uma foto ao lado de Meloni com a legenda "é necessária uma ordem de restrição", em referência a comentários anteriores nos quais afirmou que a premiê italiana "implorou" por uma foto durante a cúpula do G7, no mês passado.
Amizade com Erdogan em destaque
Em contraste com as críticas aos europeus, Trump destacou a importância de sua relação com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan. "Se não fosse na Turquia, onde meu amigo é um líder muito forte, uma pessoa muito influente, é possível que eu não tivesse comparecido [à cúpula da Otan]", disse Trump ao ser questionado sobre uma possível redução das tropas americanas na Europa, pergunta que preferiu não responder diretamente.
Trump classificou Erdogan como um "grande amigo" e afirmou que os dois líderes têm "boa química" e uma "relação especial". Ao chegar ao complexo presidencial em Ancara, Trump foi recebido com honras militares, uma banda tocando o hino nacional americano e uma demonstração aérea com caças deixando rastros de fumaça nas cores vermelha, branca e azul. O presidente americano disse a jornalistas que ele e Erdogan discutiriam questões comerciais e militares, e também demonstrou abertura para que os EUA retomem as vendas de caças F-35 para a Turquia.
Agenda da cúpula
A cúpula da Otan em Ancara, que se estende por dois dias, reúne os líderes dos países membros da aliança para debater investimentos em defesa, as consequências da guerra com o Irã, a segurança no Estreito de Ormuz e os próximos passos no conflito da Ucrânia. Pouco antes da chegada de Trump, os líderes da Otan anunciaram acordos de armas no valor de dezenas de bilhões de dólares, reforçando que estão "atendendo apelos dos EUA".
Nas últimas semanas, Trump vinha pressionando publicamente para que a Europa "gaste mais com a sua própria defesa". A possibilidade de Trump deixar a Otan tem sido mencionada repetidamente pelo presidente americano. O governo dos EUA também fala em uma profunda transformação da aliança. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, chegou a mencionar uma "OTAN 3.0", expressão que alimenta questionamentos nas capitais europeias.
Além das discussões no âmbito da cúpula, a expectativa era de que Trump realizasse reuniões bilaterais com o presidente da Síria, Ahmed al Sharaa, e com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Com Zelensky, Trump deve discutir formas de encerrar o conflito em curso, conforme informou um alto funcionário americano à agência de notícias AFP.