Trump ameaça o Irã após morte de soldados na Jordânia

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Foto: Alex Brandon / Pool
Trump afirma que o Irã pagará "muitas vezes" por cada soldado americano morto após ataques na Jordânia que mataram três militares dos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma nova ameaça ao regime iraniano após a morte de três soldados americanos em ataques na Jordânia. Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que o Irã pagará "muitas vezes" por cada combatente americano morto no conflito. A mensagem de Trump foi direta: "Toda vez que o Irã matar um soldado americano, pagará muitas vezes por essa morte! Essa diretriz foi repassada ao secretário da Guerra, Pete Hegseth, ao chefe do Estado-Maior Conjunto, Daniel Caine, e a todos os líderes das Forças Armadas."
O Departamento de Guerra dos Estados Unidos confirmou os nomes de dois dos três soldados mortos em ataques iranianos a uma base militar na Jordânia. As vítimas são o primeiro-tenente Tyler James Feehan, de 25 anos, e a soldado Isabella Gonzales, de 19 anos. Segundo comunicado do Pentágono, Isabella morreu em um ataque na sexta-feira, enquanto Feehan perdeu a vida no sábado seguinte. Feehan estava alocado no 32º Comando de Defesa Aérea e Antimíssil dos EUA, na Carolina do Norte, antes de ser enviado à Jordânia. O militar era natural de Ewa Beach, no Havaí. Já a soldado Isabella servia no 10º Comando de Defesa Aérea e Antimíssil do Exército em Ansbach, na Alemanha, e era natural de Carrollton, no Texas.
O Pentágono ainda não divulgou o nome do terceiro militar morto nos ataques. Ele constava como desaparecido até a véspera, e o corpo foi encontrado no dia seguinte, conforme informou o Comando Central dos EUA. Outros quatro soldados americanos foram encaminhados a hospitais jordanianos, receberam atendimento médico e foram liberados em seguida. Pelo menos dois mísseis balísticos iranianos atingiram a Base Aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia, no sábado. O local abriga tropas e caças dos EUA. Vídeos que circularam nas redes sociais mostraram o impacto dos dois mísseis e a densa fumaça na área logo após as explosões. De acordo com o Comando Central dos EUA, as forças militares do país se defendiam contra ataques de mísseis balísticos e drones iranianos.
O secretário de Defesa dos EUA prestou homenagem aos militares mortos. "Sigam em paz, heróis. O sacrifício deles apenas reforça nossa determinação", declarou Pete Hegseth em publicação no X, antigo Twitter. Esta é a primeira vez que soldados americanos são mortos desde a retomada dos combates, há duas semanas. O incidente eleva para 17 o número de militares americanos mortos na guerra, iniciada em fevereiro. O conflito se intensificou uma semana após o colapso do cessar-fogo, com o Irã lançando mísseis contra países do Golfo Pérsico e a Jordânia após a sétima noite de ataques dos EUA.
O Kuwait também sofreu ataques contínuos, com uma usina de dessalinização atingida e as operações no Aeroporto Internacional do país suspensas devido a repetidas ameaças de mísseis e drones. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã assumiu a responsabilidade pelos ataques a centros militares dos EUA na região. Em comunicado, a organização declarou: "Como não há nenhuma instituição internacional capaz de impedir a selvageria das Forças Armadas dos EUA, não temos outro caminho a seguir a não ser o mandamento do Alcorão: A quem vos agredir, rechaçai-o, da mesma forma", alertando ainda os aliados dos EUA na região para que esperem mais ataques.
O Ministério da Saúde do Irã informou que 50 pessoas foram mortas nos ataques dos EUA nas últimas três semanas, com mais de 500 feridos. O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, ameaçou no sábado dar uma "lição inesquecível" aos Estados Unidos, semanas após a retomada dos ataques contra o Irã. Em comunicado, Khamenei afirmou: "Agora que o inimigo americano busca incitar à guerra (...), deve saber que a querida nação iraniana e a frente da resistência têm lições inesquecíveis a lhe oferecer", acrescentando que a violação do protocolo de acordo assinado entre os dois países em 17 de junho "demonstrou mais uma vez a todos que a assinatura do presidente americano não vale nada".