Tesouro Direto perde até 13% em 5 meses

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
Títulos do Tesouro Direto acumulam perdas de até 13,4% desde o início do conflito no Irã; entenda o que pode mudar esse cenário
Diversos títulos do Tesouro Direto acumularam perdas expressivas desde o início do conflito no Irã, no final de fevereiro. Em alguns casos, a desvalorização chegou a 13,4% em menos de cinco meses, levantando dúvidas entre investidores sobre as perspectivas de recuperação desses papéis. Os títulos com prazos mais longos foram os mais afetados nesse cenário. O Tesouro Renda Aposentadoria Extra 2065, por exemplo, registrou uma queda de 13,41% no seu preço desde o dia 27 de fevereiro, véspera dos primeiros ataques. Na prática, quem investiu R$ 1.000 naquela data receberia apenas R$ 866 caso resgatasse agora.
Entre os papéis do Tesouro Direto que acumularam os resultados mais negativos desde o final de fevereiro, os de prazo mais longo lideram as perdas, seguindo um padrão típico em momentos de instabilidade nos mercados. Nos momentos em que a maior parte dos títulos do Tesouro registra perdas, o Tesouro Selic costuma apresentar o melhor desempenho. Por ser pós-fixado, sua rentabilidade acompanha a taxa básica de juros, raramente apresentando resultado negativo.
Desde o final de fevereiro, o Tesouro Selic 2031 acumulou alta de 5,52%, o que representaria um ganho líquido de 4,27% para quem tivesse aplicado naquela data e resgatasse agora — o melhor resultado do Tesouro Direto no período. Além dos títulos da linha Tesouro Selic, os melhores resultados foram registrados pelo Tesouro Prefixado 2027 (+4,66%), Tesouro Educa 2027 (+3,45%) e Tesouro IPCA 2029 (+3,28%). O padrão é claro: os papéis com datas de vencimento mais próximas saíram-se melhor.
Há duas formas de responder a essa pergunta. A primeira parte do funcionamento básico dos títulos: cada papel tem uma data de vencimento e, até lá, a perda de valor será revertida. Na data de vencimento, os investidores recebem exatamente o que estava previsto no momento da aplicação, independentemente do que tenha ocorrido no Brasil ou no mundo. Portanto, quem puder aguardar até o vencimento não precisa se preocupar — a rentabilidade será positiva. A segunda forma envolve especular se os preços dos títulos subirão antes do vencimento. Para que isso aconteça, é necessário que os grandes investidores revisem para baixo suas expectativas sobre a taxa Selic. Se o mercado passar a acreditar que os juros básicos cairão mais do que o esperado, os títulos serão negociados a preços mais altos, permitindo que pequenos investidores vendam seus papéis com rentabilidade positiva mesmo antes do prazo final.
Para que essa revisão ocorra, os investidores precisam acreditar que a inflação ficará sob controle. Atualmente, a inflação está acima da meta: nos últimos 12 meses, ficou em 4,64%, enquanto a meta é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Os principais fatores que pressionam os preços da economia são o conflito no Irã, que encarece o petróleo e os fertilizantes globalmente, e os gastos do governo brasileiro, que mantêm a economia aquecida por meio de programas de transferência de renda, entre outros mecanismos. Sendo assim, as expectativas dos investidores sobre os juros poderão ser revisadas para baixo — o que elevaria o preço dos títulos do Tesouro Direto — caso o conflito no Irã caminhe para uma resolução clara e o governo brasileiro sinalize contenção de gastos.