Tarifaço dos EUA ao Brasil pode chegar a 37,5%

Fonte: Wikipedia/ Creative Commons
Além dos 25% já anunciados, os EUA ameaçam impor sobretaxa de 12,5% ao Brasil por suposto uso de trabalho forçado nas exportações
Os Estados Unidos decidiram aplicar uma tarifa de 25% sobre milhares de produtos importados do Brasil e ainda ameaçam impor uma sobretaxa adicional de 12,5% ao país, sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado. Com isso, a alíquota total pode chegar a 37,5%, impactando diretamente a indústria brasileira e suas exportações para o mercado norte-americano. A Casa Branca prepara a cobrança adicional de 12,5% após incluir o Brasil em uma lista elaborada pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) com 53 países considerados ineficientes no combate ao trabalho forçado.
As definições sobre essa nova sobretaxa devem ser apresentadas na sexta-feira, dia 24. A tarifa de 25%, anunciada na quarta-feira (15), é baseada em decisões da Justiça brasileira que ordenaram a empresas norte-americanas como X, Meta e Google a remoção de conteúdos políticos. O documento norte-americano também cita a expansão do Pix, considerada prejudicial às plataformas de serviços de pagamentos eletrônicos que operam no Brasil, além de apontar falhas no combate ao desmatamento ilegal e à corrupção. A soma das duas alíquotas ainda é incerta para o governo brasileiro.
Em entrevista coletiva para comentar os impactos do tarifaço, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou desconhecer o alcance total das cobranças adicionais. "Vamos ficar sabendo se vai ser cumulativo ou não. Se vamos ter 25% mais 12,5% ou se vamos ter exclusão", declarou o ministro. A expectativa do governo brasileiro é de que a nova cobrança seja universal, sem exceções. Atualmente, os produtos estão submetidos a uma tarifa adicional temporária de 10%, prevista na Seção 122 da legislação comercial dos EUA, que persiste até o dia 24, quando deve entrar em vigor a nova taxa de 12,5%. "A expectativa é que virá para todos", lamentou Elias Rosa.
A indústria brasileira prevê impacto negativo sobre cerca de 4.187 produtos. Segundo estimativa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), os setores afetados equivalem a US$ 14,9 bilhões em vendas para os EUA. "Se as duas novas propostas forem adotadas, haverá um acréscimo de 27,5 pontos percentuais sobre esses bens, dos quais 62% são bens intermediários, utilizados como insumos em processos produtivos", projeta a CNI. O documento favorável à sobretaxa de 12,5% aponta que as falhas do Brasil em restringir produtos fabricados com trabalho forçado "oneram" o comércio dos EUA.
O texto também registra desconforto com a relação comercial do Brasil com a China. "As exportações brasileiras de carne bovina congelada para a China superaram em muito as exportações americanas, que vêm apresentando uma tendência de queda", diz o documento. O relatório do USTR sustenta que o trabalho forçado teria ajudado a dobrar as exportações brasileiras de carne para países investigados entre 2015 e 2025. "É notório que o trabalho forçado é utilizado na produção de gado no Brasil", destaca o texto.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, reforçou a posição americana ao afirmar que "a falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens fabricados com trabalho forçado é inaceitável. Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual". Com a possível soma das tarifas, o tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil pode representar um dos maiores obstáculos comerciais entre os dois países nos últimos anos, afetando exportações em setores estratégicos da economia brasileira.