Tarcísio rejeita declaração de Flávio e diz confiar nas urnas eletrônicas

Governador de São Paulo reagiu às declarações de Flávio Bolsonaro sobre urnas em evento com embaixadores estrangeiros
O governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarou nesta quarta-feira, 22, que confia nas urnas eletrônicas. A afirmação foi feita em reação às declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um evento com embaixadores estrangeiros, no qual o pré-candidato associou, sem apresentar provas, as urnas brasileiras a suspeitas de manipulação eleitoral na Venezuela. Flávio pediu aos representantes diplomáticos que seus países enviem observadores para acompanhar as eleições brasileiras.
As falas repercutiram negativamente e geraram reações tanto no campo político quanto no jurídico. "Olha, eu confio nas urnas. Até porque, se eu não confiasse, não estava disputando a eleição, né? Foram as urnas que me trouxeram aqui", disse Tarcísio, em coletiva de imprensa. "Acho que a gente tem que discutir projeto. O importante é a gente discutir projeto, olhar o que o Brasil está precisando. Sair dessa discussão que não vai levar a lugar nenhum." Tarcísio participava de evento em comemoração aos 25 anos da BandNewsTV, na capital paulista. Também estiveram presentes o vice-presidente da República Geraldo Alckmin (PSB), os ministros Sidônio Palmeira (Secretaria da Comunicação Social) e Frederico Siqueira (Comunicações), além do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).
Na terça-feira, 21, Flávio discursou no evento "Debatendo o Brasil", promovido pela agência Novo Selo Comunicação e pelo site The Brazilian Report. Na ocasião, mencionou que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi condenado à inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023, justamente em razão de uma reunião com embaixadores. Ao longo da exposição, o senador repetiu informações falsas sobre as urnas eletrônicas. Flávio citou um documento da CIA que aponta suspeita de manipulação nas eleições venezuelanas de 2010 e afirmou que parte das urnas usadas no Brasil "têm a mesma origem" da empresa Smartmatic, mencionada no relatório. O TSE já negou essa associação em nota de 2020, afirmando que o sistema eletrônico de votação brasileiro foi concebido e é gerido exclusivamente pela Justiça Eleitoral. As falas geraram reação jurídica do campo oposto.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, protocolou nesta quarta-feira uma representação no TSE contra Flávio pelas declarações. Os partidos argumentam que o senador divulgou informação sabidamente falsa. Segundo a representação, o relatório da CIA citado por ele trata apenas da atuação da Smartmatic na Venezuela e não faz nenhuma referência ao sistema eleitoral brasileiro. Na ação, a Federação pede que o TSE determine, de forma liminar, a remoção de publicações sobre o tema feitas por Eduardo Bolsonaro, Gustavo Gayer (PL-GO) e Júlia Zanatta (PL-SC). Os partidos também solicitam que os quatro parlamentares sejam proibidos de propagar a associação entre a Smartmatic e as urnas eletrônicas brasileiras, sob pena de multa de R$ 30 mil cada ao final do processo.
O governador paulista também comentou a relação de Flávio Bolsonaro com a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros nesta quarta-feira, 22. Ao chegar ao evento, Tarcísio afirmou que Flávio "não tem nada a ver" com o novo tarifaço, defendendo que é preciso "deixar de procurar narrativas" sobre o assunto. O filho do ex-presidente já discursou em audiência com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e enviou ao órgão um documento sugerindo que as tarifas fossem adiadas, tendo em vista as eleições brasileiras deste ano. "A gente tem que procurar deixar de ficar procurando narrativa para entender a coisa sob o prisma comercial", disse Tarcísio. "Os países estão ali tentando defender os seus interesses. O americano defendendo o interesse dele, e o brasileiro tem que defender o seu interesse também."