Santander tem lucro de R$ 3 bi, com queda de 17,6% por conta da inadimplência

Foto: Santander/Reprodução
Resultado do Santander Brasil caiu 17,6% no segundo trimestre, pressionado pela inadimplência em baixa renda e agronegócio
Pressionado pelo avanço da inadimplência, o Santander Brasil registrou lucro líquido gerencial de R$ 3 bilhões no segundo trimestre deste ano. O resultado representa uma queda de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 20,4% na comparação com os três primeiros meses do ano. O desempenho ficou abaixo do esperado pelo mercado: analistas consultados pela Bloomberg projetavam ganho de R$ 3,723 bilhões. Este é o primeiro resultado apresentado pelo novo presidente do Santander, Gilson Finkelsztain, que até o fim do primeiro semestre comandava a B3, a Bolsa de Valores brasileira.
O executivo assumiu o cargo em 1º de julho, substituindo Mario Leão, com a missão de recuperar a rentabilidade do banco. Antes de liderar a Bolsa, Finkelsztain atuou nos mercados de câmbio, renda fixa, renda variável e commodities na antiga Cetip — hoje parte da B3 —, além de passagens pelo J.P. Morgan, Citibank, Bank of America Merrill Lynch e pelo próprio Santander, onde trabalhou entre 2011 e 2013. A inadimplência avançou em todos os segmentos na comparação anual, atingindo 3,3%, ante 2,6% no mesmo período do ano passado. Entre pessoas físicas, o índice de atrasos superiores a 90 dias chegou a 5,1%, enquanto em pessoas jurídicas foi para 1,6%. O banco aponta que o resultado é puxado pelos segmentos de baixa renda e agronegócio, "em um cenário econômico ainda desafiador e de elevado nível de endividamento". Com a deterioração nos pagamentos, a PDD (provisão contra devedores duvidosos), proteção contra calotes, cresceu 11,5% no ano, chegando a R$ 7,654 bilhões. "A dinâmica reflete um ambiente de crédito ainda desafiador, com efeitos mais concentrados em carteiras específicas, incluindo empresas, agronegócio e segmento massivo, bem como alguns efeitos pontuais, como a mudança na regra de baixa para prejuízo e alguns reforços de provisão para casos do atacado", destaca o relatório do banco.
No que diz respeito à carteira de crédito, o Santander emprestou um pouco menos para pessoas físicas e mais para pessoas jurídicas em linhas de financiamento de consumo, como veículos. O total da carteira encerrou junho em R$ 714,77 bilhões, avanço de 5,8% no ano e de 1,3% no trimestre. "Mantivemos nossa disciplina na alocação de capital com foco nos negócios estratégicos, gestão de risco dos portfólios e rentabilidade", afirma o banco. A margem financeira somou R$ 15,34 bilhões no segundo trimestre, com queda de 3% em três meses e de 0,4% no ano. Segundo a instituição, o recuo se deve a um menor spread — a diferença entre os juros cobrados ao emprestar dinheiro e a taxa paga aos investidores para captação no mercado —, reflexo de uma postura mais conservadora em relação a clientes de maior risco. Com isso, a rentabilidade do Santander medida pelo ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio) ficou em 12,5%, queda de 3,4 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre e de 3,8 pontos percentuais na comparação anual.
Lucro líquido: R$ 3 bilhões - ROAE: 12,5% - Funcionários: 47.327 - Agências: 858 - Clientes: 76,2 milhões - Em atividade no mercado local desde 1982 - Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa e Nubank O desempenho do Santander no segundo trimestre evidencia os desafios enfrentados pelo banco diante do avanço da inadimplência e de um ambiente de crédito ainda pressionado, especialmente nos segmentos de baixa renda e agronegócio. A queda na rentabilidade e o resultado abaixo das expectativas do mercado reforçam a tarefa que aguarda o novo presidente da instituição.