Sabará: mulher mata marido com demência a facadas

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Em Sabará, mulher de 55 anos alega surto psicótico após dias de agressões do marido com demência e o mata a facadas
Uma mulher de 55 anos foi presa após matar o marido de 58 anos a facadas em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ela alegou ter sofrido um surto psicótico provocado pelo estresse de cuidar do companheiro, que havia sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e apresentava quadros de demência. A prisão ocorreu na Vila Michel, em Sabará, na manhã desta segunda-feira (6/7), por volta das 7h32. A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) foi acionada pela sobrinha do casal, que havia se deslocado até a residência para auxiliar nos cuidados com o tio, o qual necessitava de assistência permanente desde que sofreu o AVC.
Ao chegar à casa, a sobrinha encontrou a autora sentada no chão, ao lado da cama, com uma faca suja de sangue entre as pernas. Quando questionada sobre o ocorrido, a mulher respondeu: "Matei ele", conforme consta no boletim de ocorrência. Ao levantar o cobertor, a sobrinha constatou sangue na região do tórax do homem, intensa palidez e ausência de sinais vitais. Quando os militares chegaram ao local, encontraram a mulher na mesma posição descrita pela sobrinha, porém a faca já estava sobre a mesa da sala. Ela relatou aos policiais que o marido havia sofrido o AVC em maio do ano anterior e, desde então, passou a apresentar episódios de demência. Apesar da condição, ele se lembrava de um relacionamento extraconjugal que ela tivera há 30 anos.
Segundo a autora, o homem ficava irritado e a chamava de "puta", "piranha", além de afirmar que os filhos não eram dele. Os dias que antecederam o crime foram marcados por episódios crescentes de agressividade. Na sexta-feira (3/7), o homem enviou diversas mensagens com xingamentos para o celular dela e, à noite, ficou mais agitado, discutindo inclusive com os filhos do casal, pois acreditava que eles defendiam a mãe. Ainda naquele dia, ele teria desferido três tapas nela. No sábado (4/7), o comportamento agressivo continuou durante todo o dia. No domingo, ele voltou a insultá-la desde o momento em que acordou. Com a presença da filha na residência, ele se acalmou temporariamente, mas assim que ela saiu, retomou as agressões verbais.
Na madrugada de segunda-feira (6/7), o homem acordou e começou a chutar a grade de proteção da cama. A mulher precisou ir ao quarto dele quatro vezes para contê-lo. Em uma dessas ocasiões, ao tentar reposicioná-lo na cama, ele puxou o cabelo dela e disse: "chame seus filhinhos que ficam te defendendo porque são iguais a você", conforme ela relatou aos militares. Assim que conseguiu se desvencilhar, a mulher foi até a cozinha, pegou uma faca e retornou ao quarto. Ela declarou aos policiais que só se recorda até esse momento, afirmando que tomou consciência dos golpes apenas depois que já os havia desferido. Ela largou a faca e sacudiu o marido em busca de alguma resposta, mas ele não reagiu mais. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou o óbito no local. A mulher foi presa em Sabará e o caso segue sob investigação. O Metrópoles acionou a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e aguarda posicionamento sobre o andamento das investigações.