Evento do PSD formalizará candidatura de Caiado à Presidência neste domingo

Lula Marques/ Agência Brasil
Ex-governador de Goiás tem candidatura pelo PSD oficializada neste domingo em convenção, de olho nas eleições presidenciais de 2026
Ronaldo Caiado terá sua candidatura à Presidência da República oficializada neste domingo (26) em convenção partidária do PSD. Com uma trajetória política que se estende por décadas, o ex-governador de Goiás busca consolidar seu nome para as eleições presidenciais de 2026, após passagens por diversas legendas e momentos decisivos na política nacional.
Nascido em 1949 no município de Anápolis, em Goiás, Ronaldo Ramos Caiado é médico formado pela Escola de Medicina e Cirurgia, hoje integrada à UFRJ (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), com especialização em ortopedia. É casado com Gracinha Caiado (União Brasil), pré-candidata ao Senado por Goiás, e pai de quatro filhos.
Uma longa trajetória política
O início da vida pública de Ronaldo Caiado remonta a 1989, quando concorreu à Presidência da República pelo antigo PSD (Partido Social Democrático), terminando em décimo lugar. Durante o segundo turno, apoiou o vencedor do pleito, Fernando Collor.
Aquela campanha ficou marcada por embates com o também candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que chegou a afirmar que só faria perguntas a Caiado quando ele alcançasse 1,5% das intenções de voto nas pesquisas.
Em 1990, Ronaldo Caiado foi eleito deputado federal por Goiás, tornando-se o parlamentar mais votado de seu estado, com mais de 98 mil votos. Após desentendimentos com o PSD, migrou para o PFL (Partido da Frente Liberal), pelo qual retornou à Câmara dos Deputados em 1998 e cumpriu três mandatos como deputado.
Em 2010, elegeu-se deputado federal pelo DEM (Democratas), novo nome adotado pelo PFL, tornando-se uma das principais referências da bancada ruralista e um opositor frequente dos governos de esquerda.
Pelo DEM, Ronaldo Caiado foi eleito ao Senado Federal por Goiás em 2014. No mandato, liderou o partido na Casa e participou das articulações em torno do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Nas eleições de 2018, candidatou-se ao governo de Goiás e foi eleito no primeiro turno com mais de 1,7 milhão de votos.
Gestão em Goiás e polêmicas
Como governador, Ronaldo Caiado nomeou pelo menos 22 parentes para funções públicas relevantes em Goiás, entre tios e primos. Entre os casos estão o de Ênio Caiado, colocado na presidência da Goinfra (Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes), e Ubirajara Ramos Caiado Neto, que se tornou supervisor da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
Nas eleições de outubro de 2022, Ronaldo Caiado candidatou-se à reeleição ao lado do candidato a vice, Daniel Vilela, do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), que havia sido seu adversário em 2018.
O ex-governador também se posicionou contra a Reforma Tributária de abril de 2023, realizando uma série de visitas a Brasília para tentar impedir a aprovação do texto, que considerou "afrontosa". Com a aprovação da lei, voltou a criticá-la publicamente.
A caminhada rumo a 2026
No início de 2025, Ronaldo Caiado teve sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto confirmada pelo União Brasil. O partido estudava uma junção ao PP (Progressistas), que rejeitava o nome de Caiado.
Após meses de negociações, o pré-candidato optou por deixar a legenda e retornou ao PSD, em movimento que também incluiu os nomes de Eduardo Leite e Ratinho Jr.
Já no PSD, a sigla precisou decidir entre Caiado, o governador do Paraná, Ratinho Júnior, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Segundo a CNN Brasil, a escolha do partido levou em conta resultados em pesquisas, perfil e desempenho eleitoral em Goiás.
Ronaldo Caiado passou a utilizar a segurança pública como principal eixo de sua projeção nacional. Tornou-se um dos principais críticos da PEC da Segurança Pública apresentada pelo governo federal e participou das articulações em torno do chamado PL Antifacção.
Entre as propostas que defende está a equiparação de facções criminosas a organizações terroristas, tema que ganhou espaço no debate político após discussões sobre o combate ao crime organizado.
O ex-governador também adotou um discurso mais institucional e moderado, defendendo a autonomia dos estados, o respeito às instituições e a pacificação política. Após os ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, criticou publicamente os atos e reafirmou seu compromisso com o estado democrático de Direito.
Com o avanço do debate sobre as eleições de 2026, Ronaldo Caiado tem buscado se reaproximar do eleitorado conservador alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em falas públicas e agendas estratégicas de 2025, adotou uma retórica mais firme em temas como segurança pública, combate à ideologia de gênero e defesa da propriedade privada.
Apesar de manter uma identidade política distinta da de Bolsonaro, Caiado tem sinalizado que deseja atrair a base da direita tradicional e cristã, apresentando-se como uma alternativa estável e viável à direita bolsonarista.
Nos últimos meses, Ronaldo Caiado adotou um tom mais duro em relação ao senador e candidato ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Um dos episódios ocorreu após o parlamentar fazer uma declaração sobre as urnas eletrônicas brasileiras durante um encontro com embaixadores.
Nas redes sociais, o ex-governador de Goiás disse: "42 embaixadores numa sala: Dava para vender soja. Dava para abrir mercado para indústria. Dava para atrair investimento. Escolheram falar de urna eletrônica!".
Raízes familiares na política goiana
A trajetória de Ronaldo Caiado está profundamente ligada à história de sua família em Goiás. Ele é neto de Antônio Ramos Caiado, conhecido como Totó Caiado, que foi deputado federal, senador e interventor no estado durante a Primeira República.
É também primo de Leonino Di Ramos Caiado, ex-governador de Goiás e ex-prefeito de Goiânia. Os laços familiares incluem ainda Emival Ramos Caiado, seu tio, que exerceu mandatos de deputado federal e senador; seu trisavô, Antônio José Caiado, que foi presidente da antiga Província de Goiás no fim do século XIX; e Brasil Ramos Caiado, tio-avô, que governou Goiás entre 1925 e 1929.
Condenação e reversão judicial
Em dezembro de 2024, a juíza Maria Umbelina Zorzetti condenou Ronaldo Caiado e determinou sua inelegibilidade por oito anos por abuso de poder político durante as eleições municipais de 2024. A denúncia foi realizada pela coligação derrotada no pleito da capital goiana, do político Fred Rodrigues (PL).
Segundo a decisão, Caiado teria usado a sede de seu governo, o Palácio das Esmeraldas, para realizar eventos de campanha em favor de seu candidato em Goiânia, o prefeito eleito Sandro Mabel.
A magistrada também pediu a cassação de Mabel e da vice-prefeita eleita, Coronel Cláudia, supostamente beneficiados pelos episódios, que consistiram em jantares com lideranças políticas realizados entre sete e nove de outubro, logo após o primeiro turno.
O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, em abril de 2025, decidiu por unanimidade derrubar a inelegibilidade de Ronaldo Caiado, Mabel e da Coronel Cláudia.
Após a reversão, Fred Rodrigues afirmou que recorreria ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mas dias depois o partido recuou e decidiu não dar sequência à ação, com o objetivo de "unir forças por uma só direita".
Com a candidatura prestes a ser oficializada neste domingo, Ronaldo Caiado chega à convenção do PSD como o nome escolhido pelo partido para disputar a Presidência da República em 2026, consolidando uma trajetória política de mais de três décadas.