Renda Fixa impulsiona captação de R$ 184,7 bi

Foto: José Cruz/Agência Brasil
Fundos de investimentos captam R$ 184,7 bilhões no 1º semestre, com renda fixa liderando e Selic a 14,25% ao ano sustentando os retornos
A captação líquida dos fundos de investimentos no primeiro semestre atingiu R$ 184,7 bilhões, resultado 120% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando o saldo foi de R$ 84 bilhões. O desempenho, considerado o melhor desde 2024, foi impulsionado pela categoria renda fixa, que acumulou saldo líquido de R$ 108,4 bilhões. O patrimônio líquido da indústria chegou a R$ 11,1 trilhões, crescimento de 10% na base anual. A alta da taxa Selic, fixada em 14,25% ao ano, sustentou retornos acima da média da indústria para os fundos atrelados à renda fixa.
O DI (Depósito Interbancário) entregou ganho bruto de 6,8% no semestre, enquanto os multimercados registraram retornos entre 2,1% e 5,1%, conforme apresentação do diretor da Anbima, Pedro Rudge, a jornalistas. "Nesse cenário de juros altos, de certa incerteza global, com guerra e eleições, renda fixa vai continuar sendo carro chefe das captações. Devemos seguir vendo nos próximos meses a renda fixa como grande motor de captação", afirmou Pedro Rudge, diretor da Anbima.
Dentro da categoria renda fixa, o segmento de crédito privado apresentou desempenho mais fraco. A captação líquida desses fundos somou R$ 14,4 bilhões entre janeiro e maio, revertendo os resgates de R$ 12,6 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Ainda assim, o resultado ficou abaixo dos fundos de renda fixa de duração baixa crédito livre e soberana, que aplicam em títulos públicos. Em termos de retorno, o crédito privado entregou cerca de 3,1% no período, ante uma média de 6% dos fundos renda fixa simples. "Entre os segmentos, a classe que tem mais crédito privado tem sofrido um pouco mais, até como reflexo dos juros altos, já que esses fundos dão crédito para empresas. Como as empresas têm mais dificuldade para pagar dívida ou se financiar a juros altos por mais tempo, vemos mais casos de empresas dando default e precisando renegociar, o que impacta esses fundos.
Nesse cenário de incerteza, é esperado que o investidor busque opções mais conservadoras", explicou Pedro Rudge. Outras categorias também registraram captação positiva no semestre. Os FIDCs (Fundos de Investimentos em Direitos de Crédito) acumularam saldo líquido de R$ 30,6 bilhões, menos da metade do registrado em igual período de 2025. Os FIPs (Fundos de Investimentos em Participações) apuraram saldo líquido de R$ 32,1 bilhões, ante R$ 35,4 bilhões um ano antes.
No campo da renda variável, os fundos de ações ainda registraram saídas, mas em volume bem menor. Foram R$ 6,5 bilhões em resgates até junho, contra R$ 41,5 bilhões no mesmo período do ano anterior. Os multimercados também reduziram as perdas, com saídas de R$ 9,9 bilhões no semestre, ante R$ 65,2 bilhões registrados um ano antes. O patrimônio dessa categoria recuou de R$ 1,625 trilhão em dezembro de 2025 para R$ 1,545 trilhão em junho. Os ETFs (fundos listados em Bolsa) aceleraram o ritmo de captação positiva, com saldo de R$ 32,5 bilhões entre janeiro e junho, ante R$ 5,1 bilhões no primeiro semestre de 2025. "É uma aplicação relativamente fácil, sem o come-cotas, o que explica esse movimento.
Além disso, como ainda tem baixa relevância na indústria total, é esperado que siga crescendo", disse Pedro Rudge. O número de investidores nos fundos cresceu 13% no período, passando de 41,7 milhões para 45,6 milhões ao fim do primeiro semestre. O total de fundos também avançou 5,2%, de 31.968 para 33.927. O patrimônio líquido da indústria, sustentado pela renda fixa, manteve crescimento médio de 10% ao ano. "É uma taxa média que temos visto nos últimos anos", disse Pedro Rudge.