Renan Santos é "metralhadora giratória", diz Zema

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Romeu Zema critica Renan Santos por falta de experiência em gestão pública; fundador do MBL rebate e ataca Nikolas Ferreira
O pré-candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, criticou Renan Santos, do Missão, pela ausência de experiência na gestão pública. Durante a sabatina "No Osso", promovida pelo grupo Derrubando Muros, Zema afirmou que o fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) age como uma "metralhadora giratória" por não ter histórico de entregas concretas. Renan Santos, por sua vez, rebateu as críticas e atacou tanto Zema quanto o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Zema, empresário eleito pela primeira vez para cargo público em 2018, avaliou que Renan Santos vem crescendo nas pesquisas, mas ponderou que parte desse avanço se deve a levantamentos realizados pela internet. "Como ele não teve experiência na gestão pública, sai dando tiro como uma metralhadora giratória, prometendo mundos e fundos", declarou o ex-governador de Minas Gerais. E completou: "Se um dia ele estiver do outro lado do balcão, com certeza as coisas mudam." O mineiro também descartou formar uma chapa com Ronaldo Caiado (PSD), outro postulante à terceira via, e disse tratar com naturalidade a ascensão de Renan Santos nas pesquisas.
Zema acrescentou que, numa democracia, "todos têm direito de ser candidatos", mas ressaltou que "algumas pesquisas" nas quais o pré-candidato do Missão tem se destacado "são feitas pela internet, o que é diferente da amostra da população brasileira". O ex-governador também defendeu anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso pela participação na trama golpista, classificando a condenação pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) como "política".
Questionado sobre os possíveis impactos de uma libertação de Bolsonaro para a percepção internacional sobre a segurança jurídica no país, Zema admitiu rever sua posição. "Talvez deveríamos ter um rejulgamento, com pessoas mais isentas", disse. O pré-candidato ainda prometeu passar o "facão" nos gastos públicos e buscar, por meio de reformas, levar a taxa de juros a "algo como 6,5%".
No sábado anterior à sabatina, Renan Santos viajou a Belo Horizonte para participar de um congresso do MBL. Na ocasião, afirmou que Zema nunca foi um outsider de fato e que hoje vive uma crise de identidade partidária em meio a embates com diretórios estaduais do Novo. "Eu acho que o Zema se encaixava no velho Partido Novo, e ele hoje está perdido no novo Partido Novo. Para aquele velho Partido Novo, o Zema fez sentido. Ele era um empresário de fora da política, mas ele não era fora do sistema aqui em Minas. É um cara da elite aqui de Minas e não tem nenhuma crítica nisso. É um cara de elite normal, bem situado, bem posicionado, amigo das pessoas certas. Ele ganhou a eleição, e o grupo econômico ligado a ele também se deu muito bem", afirmou.
As críticas mais contundentes de Renan Santos, no entanto, foram direcionadas ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), a quem classificou como um "influencer" sem capacidade de articulação política. "A diferença é de QI e caráter. O Nikolas é uma pessoa simplória e fingida. O Nikolas é uma pessoa falsa, é um influencer. Eu sou um político bom", declarou. Santos ainda detalhou sua visão sobre o estilo político de Nikolas Ferreira, apontando a ausência de propostas concretas. "O que o Nikolas pensa sobre previdência no Brasil? "Cuidado com a esquerda".
O que o Nikolas pensa sobre saúde? "A esquerda está vindo aí". O que o Nikolas pensa sobre educação? Pensa nada. Então, assim, ele tem uma fórmula malandra, ele é um influencer de política", analisou. E concluiu: "Esses caras não foram forjados para governar, eles foram forjados para gravar vídeos. E são ótimos gravadores de vídeo. Então, tem uma diferença muito clara, porque é muito mais fácil eu aprender a gravar um vídeo do que ele aprender a montar um partido político." O cenário evidencia o acirramento das disputas dentro do campo da chamada terceira via, com Renan Santos consolidando-se como o único pré-candidato fora da polarização Lula-Flávio Bolsonaro a registrar crescimento consistente nas pesquisas, enquanto as trocas de críticas entre os postulantes se intensificam.