Reino Unido quer limitar uso de redes sociais por adolescentes à noite

Governo britânico quer restringir o uso de redes sociais por jovens de 16 e 17 anos entre meia-noite e 6h da manhã
O governo britânico anunciou planos para introduzir um "toque de recolher" de seis horas nas redes sociais para jovens de 16 e 17 anos, com início à meia-noite. A medida não é obrigatória e poderá ser adotada de forma voluntária pelas plataformas e usuários.
Trata-se de mais uma iniciativa do Reino Unido para reduzir os riscos de danos online para crianças e adolescentes. Além do "toque de recolher", o governo do Reino Unido anunciou que recursos projetados para manter os usuários navegando por mais tempo, como a reprodução automática de vídeos em sequência, serão desativados por padrão para adolescentes mais velhos.
As medidas surgem apenas um mês após o governo ter anunciado a proibição do uso de redes sociais por menores de 16 anos, que deverá abranger plataformas como Snapchat, TikTok, YouTube, Instagram, Facebook e X, mas não serviços de mensagens como WhatsApp e Signal, com previsão de implementação na próxima primavera.
As medidas, consideradas um dos últimos atos do governo do primeiro-ministro Keir Starmer, ainda precisarão ser transformadas em lei. Acredita-se amplamente que seu provável sucessor, Andy Burnham, dará continuidade aos planos.
Medida questionada
O ministro da Segurança Online do Reino Unido, Kanishka Narayan, minimizou as especulações de que os adolescentes simplesmente desativariam os toques de recolher opcionais. Ele classificou essa suposição como uma "falta de respeito" para com os jovens e citou um programa piloto recente que envolveu mais de 300 adolescentes e pais em todo o país, o qual registrou uma queda expressiva no uso das redes sociais durante a noite, além de melhorias no sono e na concentração dos participantes.
"Em outubro, por exemplo, algumas plataformas introduziram essas configurações padrão - mais de 90% dos adolescentes nos disseram que também mantiveram essas configurações padrão", disse ele à Sky News. "Portanto, as evidências são claras, a motivação é muito clara e eu não faria um desserviço aos adolescentes dizendo que todos eles vão desativar os aplicativos."
No entanto, a proposta encontrou resistência política. Laura Trott, porta-voz da área da educação do Partido Conservador, principal partido da oposição no Reino Unido, afirmou que as propostas "não fazem sentido". "Ou eles acham que jovens de 16 e 17 anos devem usar redes sociais, ou não, mas impor toques de recolher que eles podem simplesmente desligar não vai resolver nada", disse ela.
A NSPCC, principal instituição de caridade infantil do Reino Unido, reconheceu que as propostas contribuirão para melhorar as experiências dos jovens nas redes sociais, mas alertou que não serão suficientes por si só. "A menos que sejam acompanhadas de medidas adicionais e mais rigorosas, serão apenas um paliativo que não resolve os problemas de design viciantes que impulsionam o elevado tempo de uso das telas e prejudicam o bem-estar das crianças", afirmou Chris Sherwood, diretor executivo da NSPCC.
Rachel de Souza, Comissária para a Infância da Inglaterra, classificou a medida como um "passo positivo", destacando que os jovens querem reduzir o uso das redes sociais, mas encontram dificuldades para isso. "Quero saber mais sobre como as políticas, como o toque de recolher, serão implementadas e acompanharei de perto para garantir que sejam eficazes", disse ela.
O debate sobre o impacto das redes sociais na saúde mental dos jovens segue em pauta no Reino Unido, com o governo buscando equilibrar proteção e autonomia para adolescentes no ambiente digital.