Plano Brasil Soberano pode ser reativado para auxiliar afetados por tarifas

Foto; Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda
Governo Lula estuda ampliar o Plano Brasil Soberano para proteger exportadores das tarifas de 25% impostas pelos EUA a partir de 22 de julho
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda oferecer socorro aos exportadores brasileiros atingidos pelo novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A medida, anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), prevê tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e passou a valer a partir desta quarta-feira (22/7). Para enfrentar o impacto, o governo analisa a extensão do "Plano Brasil Soberano", conjunto de medidas lançado no ano passado após o tarifaço de 50% anunciado pelo presidente Donald Trump.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em coletiva de imprensa na última quinta-feira (16/7) que o governo já dispõe de mecanismos prontos para proteger as empresas e os empregos. "Nós já temos prontos os mecanismos de proteção às nossas empresas e de empregos, os setores afetados serão chamados e nós ampliaremos e reforçarmos o Plano Brasil Soberano", disse. Segundo ele, a nova medida deve seguir os mesmos moldes da Medida Provisória (MP) apresentada no ano passado, porém com um valor menor, uma vez que existe uma lista de exceções significativa nas tarifas impostas por Trump.
Na última terça-feira (21/7), o governo realizou uma série de reuniões com setores produtivos para mapear as necessidades dos empresários e identificar as melhores formas de apoio às empresas afetadas. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias, explicou que o objetivo é ouvir os empresários, compreender as demandas e cruzar os dados do governo com os do setor para elaborar uma proposta de socorro mais personalizada.
Segundo ele, as reuniões também buscam identificar quais contrapartes americanas — empresas que consomem produtos brasileiros — poderiam ser prejudicadas com a taxação e, assim, auxiliar nas negociações nos Estados Unidos. Uma nova rodada de reuniões estava prevista para esta quarta-feira (22/7). Apesar da aplicação das tarifas, os EUA apresentaram uma lista de exceções para produtos considerados essenciais à cadeia de consumo americana, com o intuito de evitar pressão inflacionária interna, como ocorreu no tarifaço de 2025. Itens como café, carne bovina, peixe, terras-raras e laranja ficaram fora do novo tarifaço.