PDT anuncia apoio à reeleição de Lula

Foto: Agência Brasil/Reprodução
Partido oficializa apoio a Lula na convenção nacional após duas eleições com Ciro Gomes; Lupi cita "coerência" como justificativa
O PDT vai anunciar oficialmente seu apoio à reeleição do presidente Lula (PT) na próxima segunda-feira (20), durante a convenção nacional do partido, em Brasília. A presença de Lula no evento é esperada, mas ainda não foi confirmada. A informação foi divulgada pelo presidente da legenda, Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência no governo atual, que deixou o cargo em maio do ano passado, dias após a revelação de uma investigação da Polícia Federal sobre fraudes no INSS, órgão subordinado ao ministério. Ao UOL, Lupi justificou a decisão como uma questão de "coerência" com o campo popular democrático.
Para ele, a polarização política atual não deixa espaço para outros candidatos no enfrentamento à "direita raivosa" dos Bolsonaro. Nas duas últimas eleições presidenciais, o PDT lançou o ex-governador do Ceará Ciro Gomes como candidato. Em 2018, Ciro terminou em terceiro lugar, com 12,47% dos votos válidos. Já em 2022, caiu para a quarta posição, com apenas 3,04% dos votos. Ciro deixou o PDT em outubro passado, após dez anos na sigla, e se filiou ao PSDB. Antes aliado de Lula, ele se tornou um crítico ferrenho do presidente e hoje articula apoio junto ao PL, partido do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (RJ), para disputar o governo cearense. O deputado federal André Fernandes, presidente do PL no Ceará, anunciou em maio do ano passado a aliança com Ciro no estado, mas a confirmação ainda aguarda o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para Lupi, essa aproximação de Ciro com o PL demonstra "incoerência".
A aliança também gerou conflito entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e Flávio, abrindo uma nova crise na pré-candidatura dele após a divulgação de um vídeo, por Michelle, com críticas ao enteado. O PDT encolheu de forma expressiva nos últimos anos. O partido elegeu 28 deputados federais em 2018 e apenas 17 em 2022. No Senado, a queda foi ainda mais acentuada: de duas cadeiras para nenhuma no mesmo período, sendo que, em 2022, apenas metade das vagas estava em disputa. Para as eleições deste ano, a chapa mais promissora da legenda está no Rio Grande do Sul, onde Juliana Brizola (PDT) concorrerá ao governo estadual com Edegar Pretto (PT) como vice, enquanto Paulo Pimenta (PT) e Manuela d"Ávila (PSOL) disputarão o Senado.
No Paraná, Requião Filho (PDT) será o candidato ao governo, com Gleisi Hoffmann (PT) na disputa pelo Senado. Já em Minas Gerais, Alexandre Kalil (PDT) será o nome da legenda para o governo estadual. Com o anúncio formal de apoio a Lula na convenção de segunda-feira, o PDT consolida seu alinhamento com o campo progressista, encerrando um ciclo de candidaturas próprias à Presidência e apostando na reeleição do atual presidente como estratégia para as eleições de 2026.