Operação mira "banco clandestino" usado pelo PCC

PCC (Primeiro Comando da Capital) é considerada a maior facção criminosa do Brasil • Google
Operação Janus mira núcleo financeiro do PCC que convertia dinheiro vivo em transferências bancárias via empresas de fachada
A investigação que originou a Operação Janus revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) mantinha uma estrutura financeira sofisticada para ocultar a origem de recursos obtidos com atividades criminosas. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a organização se valia de operadores especializados que convertiam grandes quantias em dinheiro vivo em transferências bancárias, permitindo que os valores circulassem no sistema financeiro sem despertar suspeitas. A operação foi deflagrada na terça-feira (21/7) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e tem como alvo justamente esse núcleo financeiro do PCC.
Para os investigadores, os suspeitos operavam como uma espécie de "banco clandestino", prestando serviços de movimentação de dinheiro tanto para integrantes da facção quanto para outros criminosos. O funcionamento do esquema, conforme apurado pelas investigações, era relativamente simples. Membros do PCC entregavam dinheiro em espécie aos operadores financeiros, que, em contrapartida, realizavam depósitos, TEDs, PIX e outras transferências eletrônicas por meio de contas bancárias de empresas de fachada e de terceiros.
Dessa forma, quem recebia os valores tinha a impressão de que o dinheiro possuía origem lícita, quando, na realidade, provinha de atividades ilícitas. Os investigadores identificaram ainda que os operadores cobravam uma comissão para realizar o serviço. Esse modelo permitia que integrantes da facção movimentassem grandes quantias sem a necessidade de transportar dinheiro vivo ou utilizar contas bancárias vinculadas diretamente aos seus nomes. Um dos investigados apontados como responsável por esse sistema é Alexandre Salles Brito, conhecido como Buiu.
As investigações indicam também que um dos principais usuários dessa estrutura era Leonardo Monteiro Moja, o Léo do Moja ou Léo do Moinho, apontado como liderança do PCC e responsável pelo tráfico na Favela do Moinho, na região central de São Paulo. Além da lavagem de dinheiro, o Ministério Público afirma que os operadores financeiros participavam de reuniões envolvendo conflitos patrimoniais submetidos ao chamado "tribunal do crime" da facção. Um dos casos investigados envolve uma disputa por imóveis de luxo na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista, em que integrantes do PCC teriam atuado como intermediadores. A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 10 milhões em contas e bens de cada investigado, além do sequestro de imóveis, veículos e ativos financeiros ligados aos suspeitos. A operação representa mais um passo das autoridades no combate à estrutura financeira do PCC.