Advogado diz que reprodução do crime "não foi fácil" e pede exame de insanidade

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Advogado diz que reprodução do crime "não foi fácil" para Paola Stefany, suspeita de matar casal de idosos a facadas em BH
O advogado da diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, suspeita de matar um casal de idosos com ao menos 24 facadas em Minas Gerais, afirmou que a reconstituição do crime realizada nesta semana "não foi fácil" para sua cliente. A suspeita confessou informalmente o crime, segundo a polícia. A reprodução simulada teve como objetivo demonstrar o que aconteceu e o que não ocorreu no apartamento das vítimas, conforme informou o advogado Bruno Correa à imprensa. "Ficamos muito tempo dentro do apartamento. Ela mostrou exatamente o que ela lembra e o que não lembra ela deixou formalizado o que não foi possível constatar", disse o defensor. "Não foi uma reprodução fácil de fazer, principalmente, para a Paola", acrescentou Correa.
A reconstituição foi pausada por diversas vezes para que Paola Stefany pudesse se "recuperar e recordar o que aconteceu". "Em diversos momentos houve confusão. Ela não conseguiu explicar de forma clara e inequívoca o que aconteceu dentro do apartamento", completou o advogado. A defesa de Paola Stefany também pediu à Polícia Civil que solicitasse um exame de insanidade mental para a diarista.
O delegado responsável pelo caso, Gustavo Barletta, recebeu a petição e analisará o pedido, sem prazo definido para resposta. Correa apontou que a cliente apresenta muita confusão mental, esquecimento, pensamento suicida, histórico de saúde delicado e receituários médicos. "Tudo leva a crer que ela possui um histórico sensível em relação à saúde mental, mas essa avaliação é feita por profissionais competentes da área da perícia e saúde", ponderou o defensor. Ao deixar o apartamento após a reconstituição, Paola Stefany foi hostilizada por moradores e populares. Imagens divulgadas pelo jornal O Tempo mostram a suspeita saindo do local aos gritos de "assassina" e "bandida". Na chegada ao imóvel, também houve tumulto. Além da suspeita e dos peritos, advogados acompanharam a diligência.
O advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a esposa, a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, foram mortos a facadas dentro do apartamento onde moravam, no bairro São Pedro, em Belo Horizonte. A perícia apontou que o homem foi atingido por 17 facadas, enquanto a mulher recebeu sete golpes. O filho do casal encontrou os pais mortos após estranhar a falta de contato desde a manhã do dia 29 de junho. Segundo a Polícia Militar, Maria Clotilde estava caída na sala, enquanto Cláudio foi encontrado sobre a cama de um dos quartos.
A Polícia Civil descreveu a cena do crime em coletiva de imprensa: "Para vocês terem uma ideia da cena que a equipe teve no local, a cena foi grotesca, muito sangue casa afora. Foi de extrema barbárie e violência a forma como esses idosos foram [mortos]. Só para vocês terem uma ideia, a senhora tinha sete facadas no corpo e o homem, 17. Isso por si só já denota quão intencionada esta autora estava em ceifar a vida dos idosos." A polícia não encontrou sinais de arrombamento no apartamento, mas identificou uma gaveta revirada onde eram guardadas semijoias.
Familiares relataram o desaparecimento de objetos como celulares e uma bolsa de grife. Câmeras do circuito de segurança registraram que Paola Stefany entrou no condomínio por volta das 7h e deixou o prédio às 15h30, usando roupas diferentes das que vestia ao chegar e carregando uma sacola que seria de uma das vítimas. Uma roupa com manchas de sangue foi localizada em uma caçamba de lixo e pode ter sido descartada pela suspeita durante a fuga. Segundo a polícia, Paola Stefany admitiu ter matado o casal e afirmou que vendeu por cerca de R$ 3 mil objetos levados do apartamento, como relógios, bolsa e celulares. Os agentes teriam encontrado com ela o valor de R$ 18 mil em dinheiro. O delegado Gustavo Barletta comentou sobre o valor dos itens roubados: "A gente pode estimar em R$ 200 mil, mas esses valores na revenda no mercado paralelo é fantasioso, ela inclusive confessou que vendeu tudo por R$ 3.300. Não acho que deve ser mentira porque, realmente, na rua, o que vale é o momento, a rapidez."
A Polícia Civil de Minas Gerais recuperou parte dos objetos roubados por Paola Stefany, incluindo seis relógios e dois tênis da marca Lacoste. Dois compradores dos produtos compareceram ao Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio acompanhados de seus advogados, onde foram ouvidos. O advogado Bruno Correa reafirmou a confiança da defesa no sistema judicial e disse que apresentará seus argumentos no momento oportuno, com base nas provas do processo. "Neste momento, a defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e ressalta que qualquer conclusão acerca da responsabilidade da investigada deve decorrer exclusivamente da regular instrução processual, e não de julgamentos antecipados ou da repercussão do caso", afirmou a defesa de Paola Stefany em nota.