Justiça rejeita alegação de surto e mantém diarista presa

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Justiça rejeita alegação de surto mental e mantém presa a diarista suspeita de matar casal de idosos em BH
A Justiça converteu em prisão preventiva a detenção de Paola Stefany Neto Cirino, diarista suspeita de matar um casal de idosos em um apartamento no bairro São Pedro, região Centro-Sul de Belo Horizonte, na última segunda-feira (29/6). A decisão foi proferida na tarde desta sexta-feira (3/7) pela juíza responsável pelo caso, que rejeitou a alegação de surto mental apresentada pela defesa. Ao justificar a manutenção da prisão, a juíza Juliana Beretta Kirche Ferreira Pinto, da Central de Audiências de Custódia de Belo Horizonte (Ceac-BH), destacou que os laudos periciais não encontraram indícios de uso de medicamentos psiquiátricos ou entorpecentes.
Os exames realizados na urina e no sangue de Paola Stefany não apontaram vestígios de substâncias como antidepressivos, anfetaminas, barbitúricos, benzodiazepínicos, cocaína, maconha, ecstasy, metadona, metanfetamina, morfina e outros compostos ou metabólitos relacionados. A decisão também registra que a defesa não apresentou aos autos qualquer documento ou relatório médico que demonstrasse que a investigada seja portadora de doença psiquiátrica ou que fosse incapaz de compreender o caráter ilícito de sua conduta contra as vítimas. Além de decretar a prisão preventiva, a juíza negou o pedido para que o processo tramitasse em segredo de Justiça. Segundo a decisão, o caso deve permanecer em regime de ampla publicidade, com eventual restrição apenas a informações protegidas por sigilo constitucional, como dados bancários, fiscais ou telefônicos, caso existam.
Conforme divulgado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), Paola Stefany aproveitou o primeiro dia de trabalho na casa de Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, e Cláudio Atala Inácio, de 75, para furtar joias, relógios, celulares e outros objetos de valor. Segundo o delegado Gustavo Barletta, a diarista afirmou ter utilizado um medicamento para dopar o casal antes de cometer os crimes. Cláudio foi a primeira vítima. Mesmo dopado, ele teria reagido às agressões, sendo empurrado sobre a cama e atingido por diversas facadas. Em seguida, Maria Clotilde, que estava na sala, também tentou se defender e acabou esfaqueada.
A perícia identificou lesões de defesa nas mãos e nos braços das duas vítimas, o que indica que ambas tentaram resistir ao ataque. A faca utilizada nos assassinatos pertencia ao próprio apartamento. Após o crime, a suspeita limpou a arma e a guardou novamente no armário da cozinha para tentar dificultar as investigações. A apuração também aponta que Paola Stefany descartou parte dos objetos furtados em uma caçamba de entulho e deixou o local em um veículo de alto padrão, que a aguardava por cerca de 15 minutos em uma rua próxima ao prédio. Os corpos das vítimas foram encontrados pelo filho do casal na terça-feira (30/6). Após o crime, a diarista se hospedou em um hotel na Savassi, em Belo Horizonte, acompanhada do filho de 6 anos.
Na quarta-feira (1º/7), ela seguiu para Itabira, onde foi localizada e presa. De acordo com a Polícia Civil, Paola Stefany afirmou que pretendia buscar ajuda de amigos na cidade e que o plano inicial era fugir para o Espírito Santo, mas desistiu da viagem mais longa por receio de ser reconhecida devido à repercussão do caso. A reportagem tenta novo contato com a defesa de Paola Stefany. Assim que houver retorno, a matéria será atualizada.