MPMG denuncia diarista acusada de matar casal de idosos em BH

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Diarista acusada de matar casal de idosos em Belo Horizonte é denunciada pelo MP; primo que a indicou pode ser investigado
Belo Horizonte – O primo que indicou a diarista acusada de matar e roubar um casal de idosos na capital mineira poderá ser investigado. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ofereceu denúncia nesta quarta-feira (29/7) contra Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, pelos crimes de latrocínio (duas vezes), fraude processual e furto mediante fraude. Além disso, o MP pediu o desmembramento do processo para aprofundar as investigações sobre Vinícius Moreira Mitre, primo da vítima Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio. Segundo a denúncia, foi Vinícius quem indicou Paola Stefany para trabalhar na residência do casal de idosos no bairro São Pedro, em Belo Horizonte, e há elementos que justificam apurar eventual participação nos fatos. O promotor Mauro da Fonseca Ellovitch destacou que Paola Stefany ligou para Vinícius durante o cometimento do crime e, na versão dele, teria informado que Maria Clotilde não passava bem, sem que ele tomasse qualquer providência. O MP também aponta que há fortes indícios de que a diarista já chegou ao local preparada para o roubo e ciente da condição financeira das vítimas.
O crime ocorreu no dia 29 de junho de 2026, no apartamento 500 da Rua Padre Severino, 174, no bairro São Pedro. Segundo a denúncia, Paola Stefany, que trabalhava como diarista no local, teria colocado clonazepam em um suco preparado por Maria Clotilde. Após as vítimas sentirem os efeitos da substância, Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, teria despertado enquanto ela subtraía bens no quarto. Paola Stefany então o atacou com uma faca, causando a morte por politraumatismo perfurocortante. Na sequência, segundo o MP, ela matou Maria Clotilde, de 76 anos, também com facadas, após tentativa de asfixia com almofada embebida em thinner.
Com o casal morto, Paola Stefany recolheu mais de R$ 19 mil em espécie, joias, relógios de luxo (Cartier, Omega, Montblanc, Bvlgari, entre outros), semijoias, perfumes, óculos, roupas, dois celulares (iPhone 15 Pro Max e 16 Pro Max) e cartões bancários com as senhas anotadas. A denúncia afirma ainda que Paola Stefany inovou artificiosamente o local para induzir peritos a erro: cobriu os corpos, lavou a faca e a guardou de volta na cozinha, limpou o piso com água sanitária e desinfetante, vestiu roupas limpas da vítima e descartou a blusa ensanguentada em uma caçamba de entulho. Em seguida, pegou um aplicativo de transporte e foi para o Centro de Belo Horizonte.
No Centro, no restaurante de Leonardo do Nascimento, na Rua Carijós, os dois teriam combinado o uso dos cartões roubados nas máquinas do estabelecimento. Paola Stefany ficaria com 60% e Leonardo com 40%. Uma tentativa de R$ 5 mil foi bloqueada; depois conseguiram subtrair R$ 1.300 e R$ 1.800, totalizando R$ 3.100. Em seguida, Paola Stefany vendeu joias e relógios por valores muito abaixo do mercado a três comerciantes e comprou um novo celular. Depois buscou o filho em Ribeirão das Neves e se hospedou em um hotel em Itabira, de onde pretendia fugir para outro estado.
Foi presa pela Polícia Civil na madrugada, enquanto dormia ao lado do filho, antes de conseguir viajar. Atualmente presa no Presídio Feminino José Abranches Gonçalves, Paola Stefany responde por latrocínio qualificado, com as agravantes de recurso que dificultou a defesa da vítima, meio cruel e crime contra pessoa maior de 60 anos, em duas ocasiões; fraude processual; e furto mediante fraude, em concurso material. Leonardo do Nascimento, dono do restaurante, também foi denunciado pelo furto mediante fraude em concurso com Paola Stefany.
O MP deixou de oferecer Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) e suspensão condicional do processo a ambos, por não preenchimento dos requisitos legais. Já os três homens que compraram parte dos bens subtraídos — Júnio Ferreira Morais, Vitor Manuel Soares Bartolomeu e Wesley Fernandes da Silva — terão o processo desmembrado para eventual proposta de ANPP pelo crime de receptação, por preencherem os requisitos legais. Os autos relativos a Vinícius Moreira Mitre serão enviados à autoridade policial para continuidade das investigações. O MP requer o recebimento da denúncia, citação dos denunciados, oitiva das testemunhas arroladas — investigadores da Polícia Civil, o filho das vítimas e o motorista de aplicativo — e, ao final, a condenação, com fixação de valor mínimo para reparação dos danos à família das vítimas. Também pediu a juntada de certidões de antecedentes criminais atualizadas de Paola Stefany nas comarcas de Belo Horizonte, Ribeirão das Neves e Itabira. A Justiça ainda deve decidir se recebe a denúncia. Se isso ocorrer, Paola Stefany e Leonardo passam à condição de réus.