OMS alerta para "semanas mais mortais" na Europa com calor de 43°C

Turistas se protegem do sol com guarda-chuvas enquanto visitam a praça de touros em Ronda, no sul da Espanha, durante a primeira onda de calor do verão - Foto: Jorge Guerrero / AFP
A OMS adverte que a Europa pode enfrentar "semanas mais mortais" com nova onda de calor, após junho registrar 3.700 mortes adicionais
A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta nesta terça-feira sobre a possibilidade de a Europa enfrentar "semanas mais mortais" nos próximos dias, diante da formação de uma nova e intensa onda de calor sobre o Atlântico. A previsão indica que as temperaturas em Portugal e no sul da Espanha podem chegar a 43 graus Celsius em breve.
O diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge, convocou uma teleconferência de emergência na segunda-feira com representantes de 41 países da região, além de membros da Comissão Europeia e grupos da sociedade civil. O objetivo foi discutir as lições aprendidas com a recente onda de calor e os preparativos necessários para enfrentar a próxima.
Em comunicado, Kluge destacou que os países que já tinham planos de ação para a saúde em condições de calor responderam com mais agilidade e protegeram melhor suas populações durante a onda de calor registrada em junho. No entanto, ele alertou que menos da metade dos Estados membros europeus da OMS possuía esse tipo de plano em vigor.
Especialistas classificaram a onda de calor ocorrida entre os dias 20 e 28 de junho como a mais severa já registrada na Europa. O evento causou interrupções na geração de energia, danos à infraestrutura e sobrecarregou os sistemas de saúde em diversos países. Segundo cientistas, o calor extremo foi quase certamente provocado pelas mudanças climáticas.
França, Holanda e Bélgica registraram juntas cerca de 3.700 mortes adicionais durante o período, com as autoridades ressaltando que os números ainda são preliminares e podem aumentar. As temperaturas chegaram a 40 graus Celsius em algumas regiões europeias durante o pico da onda de calor.
Kluge também apontou que grupos vulneráveis, como residentes de lares de idosos, pessoas em situação de rua e idosos socialmente isolados, ainda não estavam sendo atendidos de forma consistente em toda a Europa.
"O trabalho agora é em duas frentes: corrigir o que falhou nas últimas semanas antes que a próxima onda de calor chegue e construir o tipo de sistema de saúde que não apenas responda ao calor extremo, mas esteja preparado para ele", declarou Kluge.
A OMS reforça a urgência de que os países europeus acelerem a implementação de planos de ação voltados à saúde em situações de calor extremo, antes que uma nova onda atinja o continente.