MPMG investiga fraude em concurso no Sul de Minas

Operação "A Porta Larga" cumpriu dois mandados de prisão e quatro de busca e apreensão por suspeita de manipulação de notas em concurso público
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deflagrou na terça-feira (21) a operação "A Porta Larga", com o objetivo de investigar um suposto esquema de fraude no concurso público da Câmara Municipal de Minduri, no Sul de Minas Gerais. Durante a ação, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e quatro mandados de busca e apreensão. De acordo com o MPMG, a investigação teve início após a presidente da Câmara de Minduri comunicar suspeitas de irregularidades no concurso destinado ao preenchimento de cargos na Casa Legislativa.
Segundo as apurações, uma servidora comissionada relatou ter sido abordada por um servidor público da Prefeitura de Minduri, que teria oferecido a aprovação no concurso mediante pagamento de R$ 15 mil. O MPMG aponta que o mesmo servidor identificado como intermediador da negociação foi o responsável pelo processo licitatório que resultou na contratação da empresa organizadora do concurso. A empresa, sediada em Andrelândia (MG), venceu a licitação ao apresentar proposta com valor muito inferior à média das concorrentes.
As investigações indicam que o esquema seria liderado por um advogado integrante da banca examinadora do concurso. Conforme o MPMG, após a realização das provas, ele analisava o desempenho dos candidatos e alterava as notas do candidato beneficiado para garantir sua aprovação dentro do número de vagas oferecidas, caracterizando manipulação direta dos resultados do certame.
O MPMG também apura indícios de que a empresa responsável pelo concurso, Cássia Aparecida de Oliveira, que atua com o nome fantasia CAP Concursos Públicos, possa ter adotado o mesmo método em outros concursos públicos realizados em municípios de Minas Gerais e do Mato Grosso, inclusive com a participação de outros servidores públicos. Entre as cidades citadas estão Carmo do Rio Claro, São Lourenço, Itaú de Minas, Passa Quatro, Carvalhos, Paula Cândido, Bias Fortes, Colíder, Diamantino e Nova Santa Helena. Segundo o MPMG, os investigados podem responder por crimes como falsidade ideológica, supressão de documento público, fraude em certame público, corrupção passiva, frustração do caráter competitivo de licitação e associação criminosa.