Bolsonaro insiste que Michelle se candidate ao Senado, diz ex-primeira-dama

Ex-primeira-dama hesita em candidatura ao Senado pelo DF após briga com Flávio e preocupações com a saúde de Jair Bolsonaro
Em meio a uma disputa familiar, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem incentivado a esposa, Michelle Bolsonaro, a disputar uma das duas vagas ao Senado pelo Distrito Federal nas eleições deste ano. A ex-primeira-dama, no entanto, nunca admitiu publicamente a intenção de concorrer e, quando questionada, afirma que a candidatura seria fruto de um "chamado de Deus", aguardando as convenções partidárias — previstas entre 20 de julho e 5 de agosto — para tomar uma decisão. Segundo aliados, Michelle Bolsonaro tem dito que é o próprio marido quem insiste no pleito. O Senado tem importância estratégica para Bolsonaro, que monta uma articulação para emplacar aliados de primeira linha na Casa Alta. Isso porque cabe ao Senado deliberar sobre pautas centrais para o bolsonarismo, como o impeachment e a indicação de ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF). As informações são do Metrópoles.
Além de Michelle, Bolsonaro tenta viabilizar as candidaturas de Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado por Santa Catarina e de Eduardo Bolsonaro como suplente em São Paulo. Nesta semana, Michelle Bolsonaro perdeu um dos principais concorrentes na disputa por uma vaga no Senado pelo DF: o ex-governador Ibaneis Rocha declarou ao Metrópoles ter desistido do pleito à Casa Alta. A saída de Ibaneis abre espaço na direita para uma aliança com duas candidatas do Partido Liberal: Michelle e a deputada federal Bia Kicis (PL). Outros três nomes também se colocam como pré-candidatos ao Senado pelo DF: a deputada federal Erika Kokay (PT), a senadora Leila Barros (PDT) e o ex-desembargador Sebastião Coelho (Novo).
A candidatura de Michelle Bolsonaro, que era considerada certa, tornou-se incerta após a saída conturbada da presidência do PL Mulher, no dia 30 de junho. A ex-primeira-dama deixou o comando da ala feminina do partido depois de entrar em uma briga pública com o enteado e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Michelle Bolsonaro entregou o cargo após o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tentar convencê-la a fazer uma retratação pública sobre o vídeo em que afirmou que Flávio a "maltratou", "humilhou" e "deixou claro que não queria seu apoio". Após a repercussão, Flávio Bolsonaro divulgou nota afirmando que não teve a intenção de ofender Michelle e pediu desculpas.
Michelle Bolsonaro tem dito a aliados que a demora em tomar uma decisão se deve a múltiplos fatores, sendo o principal deles a prisão domiciliar do marido. Bolsonaro está sob medicação e necessita de atenção médica constante, o que serviu de base para a concessão e manutenção do regime. Antes mesmo de qualquer campanha, Michelle já dividia a rotina entre o PL Mulher e os cuidados com o marido — e foi durante uma agenda do partido que o ex-presidente tentou violar a tornozeleira eletrônica, sendo preso e levado à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, em novembro de 2025. Michelle Bolsonaro teme que o episódio de novembro de 2025 se repita, com Bolsonaro tomando alguma atitude que resulte na revogação da prisão domiciliar, e que ela seja responsabilizada pela ala mais radical do bolsonarismo — como ocorreu no ano passado.
A ex-primeira-dama também tem reclamado de críticas e ataques recebidos de aliados dos enteados, especialmente após questionar a aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. A senadora e aliada Damares Alves (Republicanos-DF) saiu em defesa de Michelle Bolsonaro, afirmando que a "amiga e irmã" foi alvo de críticas de cunho pessoal, imagens geradas por inteligência artificial e até questionamentos sobre a paternidade de Laura Bolsonaro. "Vocês não têm ideia do que fizeram com a Michelle Bolsonaro nesses últimos dias. As imagens, a inteligência artificial, a manipulação de imagens. Mas atacaram a filha dela também. Duvidam, inclusive, de que a menina seja filha do ex-presidente da República", disse Damares. A definição sobre a candidatura de Michelle Bolsonaro ao Senado pelo DF segue em aberto, com múltiplos fatores pessoais e políticos pesando sobre a decisão, que deverá ser tomada até as convenções partidárias.