MDB opta por neutralidade nas eleições presidenciais

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Em convenção, o MDB decidiu não apoiar nenhum candidato à Presidência e liberou diretórios estaduais para definir seus próprios apoios
Em convenção realizada na última segunda-feira (27/7), o MDB decidiu não apoiar nenhum candidato à Presidência da República nas eleições deste ano, optando por liberar os diretórios estaduais para definir seus próprios apoios de acordo com a realidade de cada região. A decisão encerra as especulações sobre uma possível adesão do partido à coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), movimento que era desejado pelos petistas, mas que, segundo fontes do MDB, nunca chegou a se concretizar como uma negociação real.
A possibilidade de liberar os estados já havia sido admitida pelo presidente do MDB, o deputado federal Baleia Rossi (SP), em entrevista ao "Estadão" no início do ano. Na ocasião, ao ser questionado sobre o posicionamento do partido no pleito nacional, ele respondeu: "Hoje se houver uma eleição absolutamente polarizada, eu acho que a tendência do MDB é realmente, em nível nacional, liberar." A neutralidade nacional foi a saída encontrada pela legenda para conciliar suas divisões internas. No Nordeste e em parte do Norte, o MDB tende a se alinhar com o governo Lula, enquanto no Centro-Oeste, no Sul e no Sudeste há maior resistência a uma aliança com o PT. Nesse cenário, o apoio formal a qualquer um dos candidatos poderia provocar um racha interno significativo.
Durante a convenção, Baleia Rossi defendeu a decisão como uma forma de fortalecer o partido. "A liberação nacional acaba unindo e pacificando, deixando o partido mais forte para que nos Estados tenha um resultado bastante positivo", afirmou. "Nossa vontade sempre é ter candidatura própria, mas vivemos um momento de muita radicalização, e o MDB tem essa característica de ter uma posição sempre equilibrada para fazer a diferença nas grandes discussões do País.
Tendo uma força significativa no Congresso Nacional, vamos conseguir ajudar o País a avançar, crescer e se desenvolver." Integrantes da legenda elogiaram a decisão e reconheceram a dificuldade de apoiar um candidato em um cenário de forte polarização política. O deputado federal Hildo Rocha (MA) afirmou que ter um candidato próprio iria "desunir o partido". Gabriel Souza, vice-governador do Rio Grande do Sul, seguiu o mesmo raciocínio: "O MDB é plural no Brasil inteiro. Cada diretório tem seus contextos e temos que respeitar essas conjunturas, na medida em que não temos candidato próprio", declarou Gabriel, que anunciou apoio ao ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).
Também houve defesa para que o MDB volte a lançar um nome próprio ao Palácio do Planalto em 2030. Representantes do diretório do Rio Grande do Sul chegaram a sugerir que o próprio Baleia Rossi seja o candidato da legenda na próxima disputa presidencial, proposta que foi endossada por outros integrantes do partido durante os discursos. Ao abrir mão de uma aliança nacional, o MDB concentra seus esforços nas disputas estaduais, com 10 candidatos a governador e seis a vice-governador, além do fortalecimento de sua bancada no Congresso Nacional, para a qual lançou 20 candidatos ao Senado. A meta da legenda é eleger 50 deputados federais e entre 10 e 12 senadores.