Vieira falta à comissão sobre tarifas e oposição acusa crime de responsabilidade

© Lula Marques/ Agência Brasil
Oposição acusa Mauro Vieira de crime de responsabilidade após ausência em comissão da Câmara sobre tarifas dos EUA e terrorismo
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, faltou a uma reunião da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, convocada para discutir a atuação do governo brasileiro diante da classificação de facções criminosas como terroristas e a possível aplicação de tarifas pelos Estados Unidos. A ausência gerou reações imediatas da oposição, que acusa o ministro de crime de responsabilidade.
A reunião foi aberta às 10h38 pelo deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), que classificou a falta de Mauro Vieira como "evasiva" e "lacônica". Para o parlamentar, o ministro cometeu crime de responsabilidade por não apresentar justificativa de agenda prévia. Segundo van Hattem, a única justificativa apresentada dizia respeito à variedade de temas tratados. Outros parlamentares da oposição reforçaram a fala dele durante a sessão.
No horário em que a reunião ocorria, Mauro Vieira tinha agenda com o presidente Lula (PT) no Palácio do Planalto. Na última sexta-feira (10), o ministro havia encaminhado um ofício à mesa da comissão sugerindo novas datas para sua participação, indicando os dias entre 11 e 14 de agosto. O Itamaraty foi procurado pelo UOL para comentar a acusação de crime de responsabilidade, mas ainda não respondeu.
O chefe do Itamaraty havia sido convocado a pedido do deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), terceiro vice-presidente do colegiado. Os parlamentares queriam que Mauro Vieira esclarecesse declarações feitas por ele sobre o risco de uma intervenção militar dos EUA no Brasil, após as facções criminosas CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) serem classificadas como grupos terroristas pelo governo Donald Trump. A reunião também tinha como pauta a questão das tarifas norte-americanas. O prazo para o governo Trump decidir sobre a adoção de uma tarifa adicional de 25% aos produtos brasileiros encerrava nesta data. Na véspera, o governo brasileiro elevou o tom, chamou as taxas de "injustas" e já preparava medidas de retaliação comercial.
O Brasil foi alvo de uma investigação sob a chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) acusa o país de práticas nocivas às empresas norte-americanas, envolvendo temas como Pix, acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento ilegal, entre outros pontos. A ausência de Mauro Vieira em uma sessão de tamanha relevância, marcada por dois temas sensíveis na relação entre Brasil e Estados Unidos, aprofunda o desgaste político em torno do Ministério das Relações Exteriores e deixa sem resposta questões centrais levantadas pelos parlamentares.