Marília Campos reitera pré-candidatura ao Senado

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Pré-candidata do PT ao Senado, Marília Campos defende municipalismo, direitos das mulheres e critica concentração de recursos no Legislativo
A ex-prefeita de Contagem e pré-candidata do PT ao Senado por Minas Gerais, Marília Campos, afirma que pretende levar para Brasília a experiência acumulada em quatro mandatos à frente do Executivo municipal. Em entrevista ao jornal O Tempo, ela detalhou as bandeiras que pretende defender: o fortalecimento dos municípios, a ampliação da participação feminina na política e a defesa da democracia. Ao longo da conversa, Marília Campos criticou o distanciamento entre o Senado e a população, avaliou que o Legislativo ampliou de forma excessiva o seu poder sobre o Orçamento da União e defendeu uma relação mais cooperativa entre os Poderes para enfrentar desafios como a dívida de Minas Gerais, a descentralização da saúde e o desenvolvimento do interior do Estado. Também comentou os desafios do PT na formação de novas lideranças, a polarização política e a disputa pelas duas vagas ao Senado nas eleições de 2026.
Sobre a atuação do Senado, Marília Campos avalia que a Casa tem uma importância estratégica, tanto para garantir governabilidade quanto para discutir políticas fundamentais para Minas Gerais. No entanto, ela aponta um problema central: "Eu vejo o Senado como algo muito distante da população. Volta e meia a gente vê a ação de um senador, de uma senadora, mas é algo que a população não sabe muito qual é o papel." Além do distanciamento, ela critica a postura das instituições de apontar erros umas nas outras. "Se cada um preocupar com o seu quadrado, com o seu órgão, nós temos a possibilidade de fazer uma auto-reforma e, inclusive, aproximar mais da população", afirmou. Para ela, o Senado deveria "pensar no seu telhado de vidro e parar de sempre apontar o dedo para os outros órgãos de poder".
Caso seja eleita, Marília Campos afirma que carregará três grandes bandeiras. A primeira é o municipalismo, com foco na revisão do pacto federativo. Segundo ela, os municípios têm responsabilidades e competências constitucionais, mas nem sempre contam com recursos suficientes para honrar seus compromissos. "Essa pauta municipalista vai ser uma bandeira forte minha", declarou. A segunda bandeira é a defesa dos direitos das mulheres. Marília Campos ressalta que, no Senado Federal, há apenas 15 mulheres entre 81 senadores e senadoras. "Os direitos das mulheres precisam ser fortalecidos e o empoderamento, através da representação também", afirmou. A terceira pauta é a defesa da democracia, que, segundo ela, "sempre está sendo ameaçada, sempre está tendo uma tentativa de enfraquecimento".
Marília Campos atribui sua capacidade de dialogar com eleitores de diferentes perfis à sua trajetória política. "Você tem que ter as suas convicções políticas, tem que ter lado? Sim. Agora, tendo lado e tendo convicção, não pode impedir o diálogo, não pode ter preconceito", disse. Ela afirma que governou com 16 partidos em Contagem e que foi eleita no primeiro turno na última eleição justamente por essa postura. Sobre os desafios do PT em formar novas lideranças, Marília Campos pondera que o problema não é exclusivo do partido. "Esse é um problema só do PT? Não é. O quadro está definido do outro lado? Não está", afirmou. Para ela, lideranças que se construíram sobre posições extremistas estão tendo que se reposicionar, o que gera indefinição. "Quem não trabalhou vai ser muito difícil se apresentar. Quem não entregou, vai ser muito difícil se apresentar, porque só casca de banana não dá voto", declarou.