Governo responde críticas e diz que realizou mais de 30 reuniões com os EUA

Governo Lula realizou mais de 30 reuniões com autoridades dos EUA antes da aplicação de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou mais de 30 reuniões com autoridades norte-americanas para tratar das tarifas propostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Os encontros ocorreram em diferentes formatos, em níveis técnicos e ministeriais, além do encontro direto entre Lula e o presidente Donald Trump.
As reuniões tiveram início após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciar uma investigação contra o Brasil por supostas práticas de comércio desleal. Baseada na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, a investigação foi concluída na quarta-feira (15/7) e resultou na aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, que passa a valer no dia 22 de julho. Após o anúncio, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, responsável pela política externa de Donald Trump, usou as redes sociais para responsabilizar o governo Lula pelas tarifas.
Segundo ele, o presidente brasileiro não teria agido com boa-fé nas negociações. "Hoje, o presidente Trump determinou que o USTR imponha uma tarifa de 25% sobre a maioria das importações brasileiras. Não há confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé", afirmou Rubio. Além das reuniões técnicas, voltadas à discussão dos detalhes da investigação aberta pelos Estados Unidos, dados obtidos pelo Metrópoles contabilizam 11 encontros ministeriais com Jamieson Greer, chefe do USTR, e com Marco Rubio. Interlocutores do presidente Lula informaram ao Metrópoles que Greer teve quatro reuniões com Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Nessas ocasiões, o Brasil chegou a apresentar propostas para evitar a aplicação das taxas, mas sem sucesso. A decisão dos Estados Unidos conclui uma investigação que acusa o Brasil de adotar "práticas desleais" prejudiciais a empresas e exportadores norte-americanos. "Esta ação é resultado de uma investigação de um ano que constatou que várias práticas do Brasil são desarrazoadas e discriminatórias, restringindo a posição competitiva de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos", alegou o órgão comercial dos EUA. A medida, no entanto, apresenta uma extensa lista de exceções. Produtos como café, carne bovina, peixe, terras-raras e laranja ficarão de fora do novo tarifaço, segundo o comunicado oficial.