Tarifaço entra em semana decisiva sem acordo à vista

Lula se reuniu com presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Governo Lula aguarda decisão de Trump sobre tarifas até quarta-feira (15/7) e vê poucas chances de reversão do tarifaço
O governo de Donald Trump deve anunciar nos próximos dias sua decisão sobre a aplicação de novas tarifas às exportações brasileiras, com base em investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apura práticas comerciais consideradas desleais. Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embora mantenham as negociações em curso, veem poucas chances de reversão do tarifaço.
Na última sexta-feira (10/7), Lula se reuniu com os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, os responsáveis por conduzir as tratativas com os norte-americanos. Na ocasião, o presidente e seus auxiliares projetaram cenários para a decisão de Trump, que deverá ser divulgada na quarta-feira (15/7).
O Palácio do Planalto trabalha com duas possibilidades concretas. A primeira, e mais provável, é que haverá taxação — restando saber o percentual aplicado e quais produtos serão afetados. Em junho, a investigação do USTR sugeriu a aplicação de uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Entre as práticas investigadas estão o uso do Pix, o desmatamento ilegal e as regras de proteção à propriedade intelectual.
A avaliação do governo brasileiro é que os negociadores norte-americanos não devem levar em consideração os argumentos técnicos apresentados, o que coloca os dois países longe de um entendimento. Essa mesma percepção foi compartilhada pelo chefe do USTR, Jamieson Greer, na semana passada. Em entrevista à Fox Business, ele reconheceu que há "muita distância" entre as partes e que a decisão está próxima. "Esta semana tivemos nossa última audiência, e eu estou em contato com os brasileiros, estamos tentando negociar, mas eu acho que há muita distância entre nós, então você verá a decisão final sobre o Brasil muito em breve", disse Greer.
Antes do prazo final para a aplicação das tarifas, na quarta-feira (15/7), Greer e ministros brasileiros devem realizar uma nova reunião para discutir o tema.
Um segundo cenário projetado pelo Palácio do Planalto é que os americanos decidam adiar a imposição da tarifa como um gesto ao senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A possibilidade é considerada remota, mas não impossível, dado o caráter imprevisível da administração Trump e a existência de um lobby por parte da ala ideológica do Departamento de Estado para tentar influenciar no processo eleitoral brasileiro.
Flávio viajou a Washington para participar da audiência que discutiu o tarifaço na semana passada. Durante a reunião, argumentou que esse seria o "pior momento possível" para a imposição da taxa e alegou que a medida beneficiaria Lula eleitoralmente. Antes disso, havia pedido ao governo norte-americano que adiasse a taxação pelo menos até as eleições.
A gestão Lula repudiou o gesto e voltou a acusar Flávio de traição à pátria. "Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro", diz nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom).
Em ambos os cenários, o governo brasileiro ainda avalia como vai reagir. A orientação de Lula é que se mantenham as negociações até o final. Somente após a decisão do dia 15, o Planalto vai definir sua resposta.