Deputada passa a usar "botão do pânico" após semiaberto de homem que a ameaçou

Reprodução/Wikimedia Commons
Deputada mineira passou a usar o dispositivo após condenado por ameaças progredir para o regime semiaberto com tornozeleira eletrônica
A deputada estadual Lohanna França (PV) passou a usar o "botão do pânico" após a Justiça conceder ao homem condenado por ameaçá-la a progressão para o regime semiaberto. O condenado, que também ameaçou as deputadas Beatriz Cerqueira (PT) e Bella Gonçalves (Psol) de estupro e morte, deixou o regime fechado no dia 20 de junho, passando a usar tornozeleira eletrônica. A informação foi divulgada pela própria parlamentar durante pronunciamento na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Durante o pronunciamento, Lohanna França explicou o funcionamento do dispositivo de segurança: "Todos os homens que estão com tornozeleira eletrônica, as suas ex-companheiras ou mulheres que foram vítimas podem receber o botão do pânico e saber onde esse cidadão está, e ter o botão do pânico acionado se ele se aproximar a menos de 200 metros esse dispositivo dispara, e seu apertar o botão a polícia é convocada a aparecer em meu socorro".
A parlamentar defendeu o uso do dispositivo como uma ferramenta relevante para mulheres em situação de vulnerabilidade. "Ele não resolve tudo, mas ele ajuda para que a gente consiga ter condição de reagir se o agressor estiver perto da gente", completou Lohanna França. Na avaliação da deputada, o recurso deve ser adotado por todas as mulheres vítimas de algum tipo de agressão.
O caso teve início em agosto de 2023, quando Lohanna França registrou o primeiro boletim de ocorrência após receber ameaças de estupro e morte no e-mail corporativo da ALMG. Em outubro do mesmo ano, a parlamentar recebeu uma nova mensagem de ameaça também pela internet. A partir dessas ocorrências, uma investigação conjunta do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) concluiu que as ameaças foram planejadas e executadas em fóruns e grupos anônimos na internet, conhecidos como "chans" — abreviação de "channels", ou seja, canais. Esses espaços são majoritariamente anônimos, com cerca de 90% deles localizados na deep web, e têm como regra a proibição da presença de mulheres.
O principal suspeito dos ataques contra as deputadas foi preso em 2025, durante uma força-tarefa realizada em Olinda (PE). Segundo a Polícia Civil, o homem, cuja idade não foi divulgada, também é investigado por coagir adolescentes a se automutilarem e a enviarem fotos íntimas a ele. A localização do suspeito foi possível a partir do rastreamento do seu usuário nos grupos de "chans". No momento da prisão, foram apreendidos computadores, celulares e outros objetos. Ele foi encaminhado para a Penitenciária José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves, onde cumpriu pena até junho deste ano, quando progrediu para o regime semiaberto. Com a saída do condenado do regime fechado, Lohanna França adotou o "botão do pânico" como medida de proteção, reforçando a importância do dispositivo para mulheres que convivem com a ameaça de agressores monitorados por tornozeleira eletrônica.