Líbano registra 640 mil retornos após cessar-fogo

Ataque aéreo israelense atingiu o sul do Líbano - Foto: KAWNAT HAJU
Mais de 640 mil deslocados voltaram ao Líbano desde o cessar-fogo de junho, mas 500 mil ainda não conseguiram retornar às suas casas
Mais de 640.000 libaneses deslocados retornaram às suas casas desde o cessar-fogo firmado no fim de junho, que encerrou as hostilidades entre Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah. O conflito havia forçado mais de um milhão de pessoas a abandonar seus lares. Os dados foram divulgados pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) nesta quinta-feira (3).
O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio em 2 de março, quando o Hezbollah lançou mísseis contra Israel em retaliação à morte do líder supremo iraniano, ocorrida em ataques conjuntos conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel. Em resposta, Israel desencadeou intensos bombardeios aéreos e uma ofensiva terrestre no sul do Líbano, região onde suas tropas ainda ocupam algumas áreas do território.
As autoridades libanesas afirmam que os ataques israelenses causaram a morte de cerca de 4.300 pessoas e deslocaram mais de um milhão, especialmente no sul do país e nos subúrbios do sul de Beirute. Em informe publicado nesta quinta-feira, a OIM destacou que "646.107 deslocados internos começaram a voltar para suas comunidades" nessas regiões. Apesar do retorno expressivo, outras 500.000 pessoas ainda permanecem deslocadas, segundo dados compilados em coordenação com as autoridades locais desde 22 de junho. O retorno a dezenas de cidades e povoados próximos da fronteira sul continua impossível, pois muitos desses locais sofreram destruição massiva durante os combates.
O acordo firmado entre Teerã e Washington no mês passado estabeleceu o cessar-fogo no Líbano a partir de 21 de junho. O pacto prevê o desarmamento do Hezbollah, uma retirada gradual das forças israelenses do sul do Líbano e a mobilização do exército libanês na região, iniciando por duas áreas piloto. No entanto, o acordo — rejeitado pelo Hezbollah — não define um calendário concreto para a retirada israelense. Em vez disso, o texto condiciona essa retirada ao desarmamento prévio do Hezbollah, uma exigência considerada de difícil cumprimento por especialistas, que avaliam que o Estado libanês não tem capacidade de atendê-la. A situação mantém o futuro da região em compasso de espera, com centenas de milhares de pessoas ainda sem poder retornar às suas comunidades de origem.