RJ: casal admite ter sufocado filho recém-nascido e choca pela frieza do relato

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Casal de Duque de Caxias admite ter sufocado o próprio filho recém-nascido e choca pela frieza ao relatar o crime
Um casal foi preso após tirar a vida de seu bebê recém-nascido na madrugada do último sábado (25), em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. O que chocou as autoridades e a opinião pública foi a frieza com que os pais, Larissa da Costa, de 23 anos, e Bruno Silva, de 29 anos, relataram o crime que cometeram contra o próprio filho. Larissa da Costa deu à luz na casa de sua avó, em Duque de Caxias. Segundo ela, sabia da gestação há cerca de três meses e não desejava ficar com o bebê. "Eu pretendia dar a criança ou deixar com ele (Bruno). Já tinha deixado bem claro que eu não queria o neném", disse ela.
O recém-nascido nasceu saudável, pesando quase quatro quilos. Mesmo assim, os pais optaram por não entregá-lo para adoção — alternativa legal garantida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e que não configura crime. O crime foi descoberto após Larissa da Costa passar mal depois do parto e ser levada por familiares a um hospital da região. Ao ser atendida, os médicos questionaram onde estava o bebê. Inicialmente, foi informado que a criança havia nascido morta, mas a polícia foi acionada e logo descobriu a verdade: o casal havia sufocado o recém-nascido e enterrado o corpo no quintal da residência.
Ao serem ouvidos, tanto Larissa da Costa quanto Bruno Silva admitiram o crime com uma frieza que impressionou os investigadores. Larissa descreveu o momento do parto e o que se seguiu: "Conforme as contrações vinham, eu fui fazendo força e aí o bebê saiu, saiu com vida. Eu escutei ele chorando, pedi para o Bruno que ele tirasse a criança do local, ele ficou perdido, ele não sabia o que fazer, falou que não iria, que tinha que resolver ali. Eu não quero a criança, aí ele falou: então também não quero". Larissa da Costa ainda detalhou as tentativas de matar o bebê: "Foi aí que se iniciou a tentativa de assassinato da criança, ele tirou a blusa, enrolou a criança, eu sufoquei. E eu vi que não tava resolvendo, eu tentei apertar o pescoço, mas mesmo assim ele continuava chorando, respirando, o coração batendo. Ele pegou a criança, eu entrei e depois disso eu não tive mais nenhum acesso. E eu sei que ele falou: ele é muito forte, chorou muito ainda".
Bruno Silva também deu a sua versão dos fatos com aparente indiferença: "Tem que fazer alguma coisa. Peguei dois sacos, ainda mostrei para ela os dois sacos, peguei, do jeito que ele tava só enrolei ele e fiquei literalmente em choque. Não consegui chorar, não consegui fazer nada. Fiquei literalmente em choque. Travado. Em choque".
Ambos os pais responderão por homicídio duplamente qualificado. Bruno Silva foi preso em flagrante, enquanto Larissa da Costa está internada sob custódia no Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias. O delegado responsável pelo caso, Tulio Pelosi, explicou a motivação do crime em entrevista à RecordTV: "Eles não admitiam criar a criança, serem pais da criança, a motivação foi exatamente isso, eles não queriam ser os pais da criança". O delegado Tulio Pelosi também esclareceu a qualificação do crime com base no laudo médico: "Eles vão responder pelo crime de homicídio qualificado, duplamente qualificado, porque a médica que relatou o fato à polícia militar foi levada para a delegacia e prestou depoimento dizendo que a Larissa não se encontrava em estado puerperal.
Ela possuía consciência e autodeterminação dos seus atos". O delegado afirmou que o caso é o mais perturbador de sua carreira: "Nos meus 27 anos de polícia, esse é o fato mais alarmante que eu já vi, uma própria mãe não só matar, mas admitir como se ela estivesse falando de novela. Ela admitiu, sendo filmada, admitiu que matou sim, e matou porque não queria ser a mãe da criança. E ele mesmo admitiu também, o próprio Bruno falou igualzinho, com o mesmo sentimento". O caso expõe a importância de alternativas legais como a entrega voluntária para adoção, prevista no ECA, que poderia ter sido utilizada pelo casal sem qualquer implicação criminal.