Trump recebe presidente do Líbano e discute desarmamento do Hezbollah

Joseph Aoun, presidente do Líbano, em visita a Donald Trump na Casa Branca - Foto: Evelyn Hockstein
Presidente libanês Joseph Aoun esteve na Casa Branca pela primeira vez em 20 anos para tratar do desarmamento do Hezbollah e da retirada israelense
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta terça-feira (21) o presidente do Líbano, Joseph Aoun, na Casa Branca, em um encontro histórico. Durante a visita, Trump afirmou que pretende "ajudar" o Líbano, lamentando que o país tenha sido "muito maltratado" durante muito tempo.
Em resposta, Joseph Aoun expressou sua "profunda gratidão" ao líder norte-americano e pediu que os Estados Unidos continuassem apoiando o exército libanês. Joseph Aoun é o primeiro chefe de Estado libanês a visitar a Casa Branca em quase 20 anos.
O objetivo central da visita foi apresentar a Trump um projeto para o desarmamento do Hezbollah, movimento xiita armado alinhado ao Irã, além de buscar garantias para a retirada das tropas israelenses do território libanês.
"Este será o seu legado", disse Joseph Aoun a Trump antes da conversa privada entre os dois. "Juntos, seremos capazes de alcançar esse objetivo (de desarmar o Hezbollah). É hora de o Líbano, e toda a região, serem estáveis e seguros", acrescentou o presidente libanês.
Antes do encontro com Trump, Joseph Aoun chegou a Washington no fim de semana e se reuniu no domingo (19) com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Na ocasião, ressaltou a necessidade de que Israel iniciasse sua retirada do sul do Líbano em conformidade com o acordo-quadro de 26 de junho, firmado sob mediação americana.
Falando aos jornalistas no Salão Oval no início da reunião desta terça-feira, Trump destacou que existe um "problema Hezbollah". "O Líbano foi muito maltratado (...) e vamos garantir que seja tratado com o respeito que merece", afirmou o chefe da Casa Branca.
As conversas entre os dois líderes ocorrem em um momento decisivo para o país árabe. O Exército libanês começou nesta terça-feira a se deslocar para duas cidades do sul do país, após a retirada dos soldados israelenses dessas localidades, segundo uma alta autoridade de segurança libanesa.
Trata-se de uma primeira fase de teste para a implementação do acordo entre Beirute e Israel. O Hezbollah, por sua vez, manifestou oposição às negociações diretas entre o governo libanês e o Estado de Israel, além de denunciar os esforços de Beirute para desarmá-lo, citando a necessidade de "resistir" à ocupação israelense.
Israel e o Líbano nunca estabeleceram formalmente a paz nem relações bilaterais, e Beirute não reconhece o Estado israelense, que realizou múltiplas ofensivas no território libanês ao longo das últimas décadas.
Uma nova campanha militar foi lançada por Israel no Líbano em março passado. As forças israelenses invadiram o território libanês, devastando o sul da nação, sob o argumento de que buscavam "neutralizar" o Hezbollah e impor uma "zona de segurança" até o rio Litani, reacendendo o temor de uma repetição da ocupação considerada ilegal entre 1982 e 2000.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, prometeu uma destruição semelhante à infligida em Gaza, enquanto o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, defendeu a anexação do sul do Líbano para transformar o rio Litani na fronteira norte do país.
Israel acusa o Hezbollah e o governo libanês de não terem executado o desarmamento previsto no acordo de cessar-fogo patrocinado pelos Estados Unidos e pela França em novembro de 2024. As Forças de Defesa de Israel continuaram realizando ataques no Líbano por meses, em violação ao acordo, e mantiveram posições no sul do país além do prazo estabelecido para sua retirada.
O conflito mais recente teve início depois que o Hezbollah lançou foguetes contra Israel após o assassinato do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã durante quase quatro décadas, no primeiro dia dos bombardeios americano-israelenses contra o Irã, em 28 de fevereiro.
Israel justificou sua retaliação como resposta à ameaça representada pelo Hezbollah e à necessidade de proteger seu território de ataques com foguetes.
Mais de 1,3 milhão de pessoas foram temporariamente deslocadas pela ofensiva israelense no Líbano, provocando temores no governo local de uma crise migratória duradoura. Centenas de milhares de libaneses continuam deslocados.
Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, pelo menos 4.300 pessoas, incluindo quase 800 crianças, mulheres e socorristas, foram mortas por Israel desde 2 de março. No mesmo período, 22 soldados e civis israelenses morreram em ataques do Hezbollah.