Joaquim Barbosa desiste da corrida presidencial

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa • Anderson Pinheiro/Agência O Dia/Estadão Conteúdo - 2015
Ex-ministro do STF comunicou ao partido Democracia Cristã que não disputará a Presidência em 2026 por descumprimento de condições
O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa desistiu de disputar a Presidência da República em 2026. O jurista comunicou a decisão ao seu partido, o Democracia Cristã (DC), segundo antecipação da "Folha de S. Paulo". Até o momento, Barbosa não se manifestou publicamente sobre o recuo. O ex-ministro informou a interlocutores que abandonou a candidatura porque as condições estipuladas para se manter na disputa não foram atendidas. Apesar da desistência, a cúpula do DC ainda tenta viabilizar a campanha do ex-magistrado. O comando da sigla afirmou ao "Valor" que vai trabalhar para manter Joaquim Barbosa no pleito. Barbosa se filiou ao DC em abril, dentro do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral.
Na ocasião, dirigentes do partido e Aldo Rebelo, então pré-candidato ao pleito, se posicionaram contra o nome. A bandeira da legenda seria de uma campanha "baseada em ética pública, combate a privilégios e reforma do Judiciário". O DC é presidido pelo ex-deputado federal João Caldas e, sem representação no Congresso, a legenda não tem direito a tempo de TV nem participação nos debates. Primeiro negro a ocupar uma cadeira na mais alta Corte da Justiça, Joaquim Barbosa, de 71 anos, permaneceu no STF por 11 anos, de 2003 a 2014. Durante esse período, foi relator do mensalão, processo que condenou 24 réus, entre eles o ex-ministro da Casa Civil de Lula, José Dirceu.
Desde que deixou o cargo, seu nome é constantemente especulado para uma disputa no Executivo. Em 2013, ainda no Supremo, deixou em aberto a possibilidade de se candidatar: — Eu não tenho, no momento, nenhuma intenção de me lançar à Presidência da República. Mas pode ser que no futuro eu tenha tempo para pensar sobre isso — declarou em 2013, durante um evento no Rio de Janeiro. Em 2018, Joaquim Barbosa chegou a se filiar ao PSB com o objetivo de tentar o posto no Planalto, mas não emplacou a candidatura. Em maio daquele ano, anunciou a desistência por meio de uma publicação no X. O cenário interno do DC também é marcado por tensões.
Na semana passada, o ex-ministro do governo PT Aldo Rebelo destacou que foi convidado para ser pré-candidato e que, posteriormente, o presidente do partido convidou o ex-ministro do STF, alegando baixo desempenho nas pesquisas. Rebelo ainda afirma ser o pré-candidato do DC, mas João Caldas descarta qualquer reconciliação com o político e nega sua candidatura: — O Aldo é opção zero. Ele foi expulso [da sigla], voltou por uma decisão do primeiro grau [da Justiça]. O Aldo não está na nossa pauta — afirmou Caldas à "Folha de S. Paulo". Ao GLOBO, Rebelo afirmou que a questão "está judicializada" e, portanto, não cabe mais à cúpula do DC decidir. Segundo ele, enquanto não houver decisão definitiva, sua pré-campanha continua. A mais recente pesquisa Genial/Quaest mostra Joaquim Barbosa com 2% das intenções de voto. Aldo Rebelo não foi incluído no levantamento porque, desde maio, a direção do DC passou a apresentar o ex-ministro do STF em seu lugar.