Homem é detido por fazenda com 290 mil pés de maconha

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Dono da fazenda com 290 mil pés de maconha no Ceará foi liberado um dia após ser preso; arrendatário segue foragido
João Holanda Neto, proprietário da fazenda em Acopiara, no interior do Ceará, onde policiais civis encontraram cerca de 290 mil pés de maconha, foi solto na última sexta-feira (3), um dia após ter sido preso temporariamente. A família do dono das terras afirma que o verdadeiro responsável pela droga é Cristiano Rodrigues de Lima, homem que arrendou a área em 2025 e que segue foragido. Momentos antes de ser preso, na tarde de quinta-feira (2), João Holanda Neto publicou um vídeo pedindo que o arrendatário se entregasse à polícia. Segundo a defesa, a terra está arrendada desde outubro de 2025, com contrato formalizado em cartório apenas em janeiro deste ano.
A advogada de defesa de João Neto, Maria Lopes, afirmou que, desde a formalização do aluguel, o cliente não entrou mais nas terras. Nos últimos meses, ele teria ido apenas até a frente da propriedade, "onde tem uma casinha pequena na qual guardava um carro velho e outras coisas do sítio e que, desse ponto de referência, não dava para ver nenhuma plantação", segundo a advogada. No vídeo divulgado, João Holanda Neto aparece emocionado e se dirige diretamente ao arrendatário: "Eu peço até pela alma de sua mãe, de seus filhos".
E complementa: "Eu pensando que você era uma [boa] pessoa. E você faz isso comigo? Você conhece a gente há mais de 15 anos, tomava café na casa da minha mãe. Pelo amor de Deus, se apresente. Como você faz uma coisa dessa comigo? Você é de casa. Se eu soubesse que era para uma coisa dessa comigo, eu jamais faria [o contrato]." Em entrevista ao g1, o sobrinho de João Holanda Neto, Fabrício Holanda, confirmou que o tio está em tratamento de câncer de pele e, por isso, arrendou o terreno.
Segundo Fabrício, a família não tinha conhecimento do cultivo ilegal. "O contrato está com minha família, foi feito em cartório e vamos entregar quando a polícia chamar", disse. Ele acrescentou: "Minha avó está com doze anos que nem sabe onde é a estrada. Ela está com a consciência tranquila e segue trabalhando vendendo o leite dela. [...] A gente não aceita coisas mal feitas. Nossa avó sempre nos ensinou a ser forte, direito e honesto."
O proprietário do terreno é filho da empresária e ex-vereadora Maria Luiza Lima, conhecida como "Luiza Rufino" ou "Luiza do Posto", que chegou a ser candidata a vice-prefeita de Acopiara nas eleições de 2024 pelo MDB, sem ser eleita. Quando o nome dela passou a circular nas redes sociais como suposta dona da fazenda, Fabrício publicou um vídeo de esclarecimento que acumulou mais de 60 mil visualizações.
A Polícia Civil do Ceará informou, na noite de quinta-feira (2), que prendeu um homem de 59 anos apontado como proprietário do terreno onde foi encontrada a plantação, em 25 de junho. João Holanda Neto se apresentou voluntariamente a uma delegacia para prestar depoimento e teve o mandado de prisão temporária de 30 dias cumprido no ato. Ele já possuía antecedente por receptação. Um dia depois, foi solto. A Polícia Civil informou que "diligências e oitivas seguem em andamento com a finalidade de elucidar o fato", ressaltando que "outras informações serão repassadas em momento oportuno para não comprometer os trabalhos policiais". O arrendatário Cristiano Rodrigues de Lima permanece foragido.
A operação que levou à descoberta da plantação foi coordenada pelo Departamento de Polícia Civil do Interior Sul (DPJI Sul), pela 4ª Seccional do Interior Sul (Iguatu) e pela Delegacia de Polícia Civil de Acopiara. No local, os agentes encontraram cerca de 160 mil pés de maconha em fase de cultivo e outros 130 mil pés já colhidos, totalizando aproximadamente 290 mil pés da droga, com cerca de 5 toneladas do entorpecente. Além da plantação, os policiais encontraram acampamentos usados pelos suspeitos, que fugiram com a chegada das equipes. Em um dos pontos, havia até feijão cozinhando em uma panela, indicando que a saída dos criminosos havia sido recente.
Após denúncias de que a área havia sido abandonada pela polícia após a operação, com a droga e provas sem vigilância, o governador Elmano de Freitas (PT) visitou a fazenda na segunda-feira (29). A denúncia foi feita pelo deputado federal André Fernandes (PL), que esteve no local no sábado (27) e mostrou que a maior parte da plantação e parte da droga já colhida ainda estavam no local. Na residência do sítio, foram encontrados materiais como celular e cadernos de anotações que deveriam ter sido recolhidos como provas.