Imagens inéditas são divulgadas e revelam bastidores da ilha de Jeffrey Epstein

Jeffrey Epstein
DOJ divulga imagens nunca vistas da "Ilha de Epstein", gravadas por artista romeno que trabalhou para o bilionário entre 2010 e 2019
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) divulgou, nesta terça-feira (7), novas imagens da chamada "Ilha de Epstein", localizada nas Ilhas Virgens Americanas. A propriedade, conhecida oficialmente como Little Saint James, pertencia ao bilionário Jeffrey Epstein, condenado por tráfico sexual e abuso de menores.
As imagens fazem parte dos chamados "Arquivos Epstein", um acervo com quase 3,5 milhões de páginas de documentos, fotos e vídeos sobre os crimes, a vida e os negócios do financista. O material foi compilado pelo governo norte-americano e detalha a atuação de Jeffrey Epstein como líder de uma rede internacional de tráfico sexual, reunindo ainda registros relacionados a processos por estupro, abuso e outros crimes.
A propriedade ficou mundialmente conhecida como "Ilha de Epstein" e, de forma pejorativa, também era chamada de "Ilha da Pedofilia". O próprio Epstein costumava se referir ao local como "Little St. Jeff's".
Situada no Caribe, a ilha foi adquirida pelo financista em 1998 e, segundo as investigações, era utilizada como um refúgio onde ele recebia figuras influentes da política e da economia global enquanto cometia crimes como estupro, abuso sexual e tráfico humano.
As imagens inéditas
Na gravação divulgada pelo TMZ, o autor percorre a ilha em um carrinho de golfe, oferecendo uma visão detalhada dos arredores e revelando o interior de alguns dos edifícios mais enigmáticos da propriedade.
Segundo o portal, o responsável pelas imagens é um artista romeno que não teve sua identidade revelada, mas que afirma ter trabalhado para Jeffrey Epstein entre 2010 e 2019. O homem contou ao veículo que foi responsável por diferentes projetos de decoração interna na ilha, incluindo um prédio listrado de azul e branco que Epstein supostamente chamava de sua "mesquita".
As imagens mostram a estrutura da propriedade, com um enorme relógio de sol, estátuas incomuns, jardins meticulosamente cuidados e outras áreas de lazer. O vídeo também revela a piscina cercada por espaços de descanso, além de um barco, um píer e um trampolim flutuante.
As imagens ainda exibem alguns dos edifícios onde, segundo diversas acusações, ocorreram abusos na ilha particular de Jeffrey Epstein.
Outro ambiente mostrado em detalhes é o escritório do bilionário, com vista para o oceano. O espaço abriga esculturas de diferentes culturas, um sofá laranja vibrante e uma grande estante emoldurada por pilares ornamentados. No teto, destaca-se um amplo mural aparentemente pintado à mão, que ocupa quase toda a superfície.
Embora o Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos já tenha divulgado anteriormente algumas imagens da ilha, o novo vídeo apresenta cenas inéditas com uma visão ainda mais detalhada do local.
O histórico de crimes de Jeffrey Epstein
O escândalo envolvendo Jeffrey Epstein teve as primeiras denúncias formais em 2005, quando a polícia de Palm Beach, na Flórida, iniciou uma investigação por abuso sexual de menores. À época, ele negou as acusações, alegando que os encontros foram consensuais e que acreditava que as vítimas tinham 18 anos.
Anos depois, Epstein foi condenado por crimes relacionados à exploração sexual e ao tráfico humano. Entre 2002 e 2005, ele recrutou mais de 200 adolescentes para atos sexuais.
Em 2008, declarou-se culpado de acusação estadual por exploração de menores, firmou um acordo judicial, cumpriu 13 meses de prisão e pagou indenizações às vítimas. Em fevereiro de 2019, um juiz distrital da Flórida considerou o acordo ilegal.
No mesmo ano, Jeffrey Epstein foi novamente preso e acusado formalmente de operar uma rede de exploração e tráfico. As investigações apontaram que ele pagava centenas de dólares para que meninas fossem até suas propriedades e realizassem favores sexuais, além de incentivá-las a recrutar outras jovens.
Há relatos de dezenas de vítimas que teriam sido levadas à "Ilha de Epstein" para prestar serviços sexuais a ele e a convidados. Episódios semelhantes teriam ocorrido em residências mantidas por ele em Nova York, na Flórida e no Novo México.
Segundo o governo dos EUA, mais de 250 meninas menores de idade foram exploradas sexualmente pelo bilionário.
Jeffrey Epstein foi encontrado morto na prisão em agosto de 2019, após tirar a própria vida. Dois dias antes de sua morte, ele havia assinado um testamento que destinava seu patrimônio estimado em mais de US$ 577 milhões.