PF intima Jaques Wagner para depoimento sobre envolvimento com Master

Foto: Agência Senado/Reprodução
A PF aponta que Jaques Wagner recebeu apartamento, voos em jatinho, show e R$ 3,5 mi ligados ao Banco Master
A Polícia Federal intimou o senador Jaques Wagner (PT-BA) para prestar depoimento na investigação que apura fraudes envolvendo o Banco Master. A oitiva está prevista para a primeira semana de agosto e faz parte de uma operação que já resultou em buscas na residência do parlamentar e na apreensão de valores em moeda estrangeira. Segundo as investigações, a PF aponta que Jaques Wagner teria recebido "vantagens econômicas indevidas" por meio de uma série de benefícios supostamente pagos pelo extinto Banco Master. Entre os repasses identificados estão um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, voos em aeronaves particulares, ingressos para um show internacional no valor de R$ 63 mil e uma transferência de R$ 3,5 milhões para uma empresa ligada à família do senador.
Para a PF, a conexão entre Jaques Wagner e o Banco Master passa pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio da instituição financeira. A proximidade entre os dois teria criado um "ambiente propício" para ações em defesa dos "interesses privados" do banco. Lima também foi alvo da operação deflagrada em junho e deve prestar depoimento em agosto. Durante a operação que mirou Jaques Wagner, os agentes federais encontraram US$ 49 mil em espécie — equivalente a R$ 253 mil — na residência do senador em Brasília. Na casa em Salvador, foram apreendidos US$ 16.795 (cerca de R$ 87 mil), 39.675 euros (cerca de R$ 234 mil) e R$ 16.500. O senador afirma que os valores correspondem ao reembolso de diárias do Senado.
A investigação aponta que Lima teria repassado a Jaques Wagner um imóvel de R$ 2,5 milhões localizado em Salvador. A PF encontrou mensagens em que os dois discutem a possível aquisição do apartamento. Em novembro de 2024, o senador teria enviado o contato da construtora responsável pelo empreendimento Poéme Horto com a seguinte mensagem: "A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 mi". Além do imóvel, a PF aponta o "uso gratuito" por Jaques Wagner de aeronaves vinculadas a Lima. Em outubro de 2023, o empresário colocou um helicóptero à disposição do senador para que ele viajasse com a família de Salvador à "Ilha da Paixão", em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador. Em abril de 2024, Wagner pediu ao empresário o contato do piloto para um deslocamento ao Rio de Janeiro. Augusto Lima encaminhou ao parlamentar o contato de "Breno Copiloto Banco" e repassou ao piloto o número do Senado.
O empresário Augusto Lima também teria pago ingressos de show no valor de R$ 63,3 mil. Conversas obtidas pela investigação mostram Lima orientando uma secretária para adquirir os bilhetes de uma apresentação de uma cantora internacional em "favor de familiares de Wagner". Os ingressos teriam sido pagos pela Reag, gestora de investimentos liquidada pelo Banco Central e suspeita de lavar dinheiro para o PCC. A PF aponta ainda uma transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira Ltda., empresa que tem como uma das proprietárias Bonnie Bonilha, nora de Jaques Wagner.
O pagamento teria sido feito pela PKL One Participações S.A., firma vinculada a Lima. Segundo a investigação, o repasse ocorreu após cobranças do enteado do senador, Eduardo Mendonça Sodré Martins, que enviou ao empresário, em setembro de 2025, a mensagem: "Amanhã vence [sic] os boletos e são altos". No mês seguinte, o dinheiro foi transferido para a BN Financeira. A suspeita da PF é de que a empresa tenha sido utilizada para ocultar a real origem dos recursos, supostamente destinados a remunerar Jaques Wagner e seu entorno por uma atuação do senador em favor do Master. Wagner nega qualquer irregularidade. Quando foi alvo do mandado de busca da PF, há cerca de um mês, ele afirmou, em entrevista ao jornal da Band, que sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Master, é "praticamente zero". Após a operação, o senador deixou a liderança do governo no Senado. A permanência dele no cargo era considerada "insustentável" por aliados do Planalto, que temiam que a investigação pudesse atingir o presidente Lula, candidato à reeleição.