PF investiga diálogos entre enteado de Jaques Wagner e ex-sócio de Vorcaro

Foto: Agência Senado/Reprodução
Diálogos entre enteado de Jaques Wagner e ex-sócio do Master reforçam suspeitas da PF sobre pagamento de imóvel de luxo ao senador
Novas mensagens trocadas entre o enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA) e o secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré Martins, com o empresário Augusto Lima, ex-sócio do banco Master, reforçam as suspeitas da Polícia Federal (PF) sobre a prática de crimes. As mensagens, reveladas nesta sexta-feira (31/7) pelo jornal "O Estado de S. Paulo", tratariam do pagamento de um imóvel de luxo ao senador, que é suspeito de ter atuado em favor do banco alvo da investigação federal. A PF suspeita que Jaques Wagner recebeu um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares. Segundo os investigadores, essa estrutura teria sido usada para ocultar vantagens indevidas supostamente pagas no contexto das fraudes investigadas contra o Master. A cobrança pelos pagamentos, de acordo com a investigação, teria sido feita por Sodré Martins.
Um dos diálogos revelados ocorreu em 1º de setembro de 2025, quando o enteado de Jaques Wagner escreveu a Lima: "Irmão bom dia! Tudo bem? Se puder ter alguma previsão, vc me fala?". O empresário respondeu: "Blz irmão. Em cima aqui. Abração". Três dias depois, Sodré Martins reforçou a cobrança ao então sócio do Master: "Amigo, tudo bem? Preciso de sua ajuda. Amanhã vence (sic) os boletos e são altos. Não tem como cancelar e não irei ficar devendo, concorda?". Em resposta, Augusto Lima enviou reportagens sobre a liquidação do Master e afirmou: "Acredite que estou tentando e se tem alguém que (quer) resolver sou eu. Infelizmente como lhe disse a situação está crítica. Deve ter visto o que aconteceu né? Mas estou firme querendo resolver. Se for o caso cancele a nota e depois você emite outra. Assim que tiver a disponibilidade". Em seguida, enviou uma imagem com a frase: "Juntos somos mais fortes". Lima era sócio de Daniel Vorcaro e foi o responsável por implementar, no governo da Bahia durante a gestão de Jaques Wagner como governador (2007-2014), um sistema de crédito consignado para servidores públicos que posteriormente foi levado para o Master. O Credcesta constituía o principal ativo financeiro do banco.
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), manifestou confiança pública em seu secretário do Meio Ambiente, Eduardo Sodré Martins, acusado pela PF de cobrar dinheiro do ex-sócio do Master para pagar um imóvel de luxo a Jaques Wagner. No último dia 29, duas semanas após o senador petista e o secretário estadual serem alvos da PF, o governador alegou não haver provas concretas contra Sodré Martins. "De forma nenhuma nós vamos fazer afastamento sem qualquer tipo de motivação concreta, de provas. Eduardo é advogado, está se defendendo. Para ele, para a família, minha solidariedade. Mas não está no script qualquer afastamento de nenhum secretário por motivo do que está acontecendo, de denúncias ou qualquer tipo de julgamento. Não há julgamento para que a gente possa definir ou determinar a saída de qualquer secretário", disse o governador da Bahia.
Também nesta sexta-feira, em entrevista à rádio Baiana FM, Jaques Wagner afirmou que pretende provar sua inocência nas investigações que ligam seu nome a fraudes bilionárias do Master. O senador reconheceu que sua assessoria jurídica recomenda silêncio, mas optou por se manifestar. "O [meu] advogado e o pessoal de imprensa [assessoria dele] pedem para nem falar sobre isso. Dizem tudo que se está sendo investigado, é direito seu [Jaques] ficar em silêncio, mesmo diante da imprensa. Então peço até desculpa, ele pede para não falar. Mas vou citar uma frase no texto do ministro André Mendonça, que diz: "o inquérito, a investigação, serve até para afastar a culpa"", declarou o senador. "Então, eu tenho certeza de que vou provar minha inocência. O inquérito, evidentemente, demora um tempo. Eu agora estou focado na eleição. Temos dois meses para a eleição. Sábado (1º/8) vai ser a nossa convenção com a presença do [presidente] Lula", completou Jaques Wagner. O senador garantiu ainda contar com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ressaltando que entregou o cargo de líder do governo no Senado para não prejudicar a gestão federal. "Estive com ele [Lula] quatro, cinco dias depois do episódio.
Entreguei o cargo a ele para não contaminar, para não perturbar. Ele esteve aqui [na Bahia] na inauguração do Hospital de Alagoinhas, fez questão de fazer uma referência a mim muito carinhosa e elogiosa, e amanhã vai estar comigo aqui [na Bahia]", ressaltou. Jaques Wagner lembrou ainda um episódio semelhante ocorrido em 2018, também em ano eleitoral, quando era candidato ao Senado pela primeira vez. "Na época, era sobre a Fonte Nova [principal estádio]. Abriram o inquérito, fizeram aquele barulho e, depois, eu não fui nem indiciado. Foi arquivado o processo, mas é óbvio que fica o prejuízo", comentou o senador.