Inflação desacelera e surpreende mercado em julho

Inflação | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Índice registrou 0,06% em julho, bem abaixo da expectativa de 0,22% prevista pelo mercado financeiro, segundo o IBGE
A inflação medida pelo IPCA-15 desacelerou para 0,06% em julho, após registrar 0,41% em junho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (28/7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado surpreendeu o mercado financeiro, que esperava uma taxa de 0,22% para o sétimo mês de 2026, conforme a mediana das projeções coletadas pela agência Bloomberg. As estimativas variavam entre 0,15% e 0,29%. No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 registrou alta de 4,52% até julho, ante 4,8% até junho. Ainda assim, o índice permanece acima do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC) para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A divulgação dos dados ocorre uma semana antes da nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do BC, marcada para os dias 4 e 5 de agosto. O colegiado definirá o patamar da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,25% ao ano. Analistas veem chance de um novo corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic para 14% — patamar em que a taxa pode permanecer até o final do ano, conforme o boletim Focus. O IPCA-15 é divulgado antes do IPCA oficial e, por isso, sinaliza uma tendência para o índice de inflação. Uma das diferenças entre os dois indicadores está no período de coleta dos preços. A apuração do IPCA-15 abrange a segunda metade do mês anterior e a primeira metade do mês de referência.
No caso do resultado de julho, a coleta foi realizada entre 17 de junho e 15 de julho. Já o levantamento do IPCA ocorre ao longo do mês de referência, e o resultado de julho será divulgado pelo IBGE em 11 de agosto. As projeções do mercado financeiro apontam, na mediana, alta de 5,12% para o IPCA no acumulado de 2026, segundo o boletim Focus. A estimativa caiu pela quarta semana consecutiva, mas ainda supera o teto da meta de inflação. O recuo das previsões ocorreu após uma sequência de revisões para cima, impulsionadas pelos impactos da guerra no Irã. Entre os riscos para a inflação no segundo semestre, destaca-se o El Niño. O fenômeno climático representa um desafio para o agronegócio ao alterar a distribuição das chuvas. Analistas alertam que eventuais dificuldades na produção de alimentos podem pressionar os preços ao consumidor nos próximos meses.