Vazamento de gás leva prefeitura de Manaus a decretar estado de alerta

© João Viana / Secom/ Gov. Manaus
Bombeiros atuaram por mais de 14 horas no resfriamento dos tanques da Innova após liberação de vapores no Distrito Industrial de Manaus
Mais de 14 horas após o início do vazamento de estireno na fábrica da Innova, localizada no Distrito Industrial da Zona Sul de Manaus, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) continuavam atuando no resfriamento dos tanques na manhã desta quinta-feira (16). O procedimento tem como objetivo evitar o aumento da temperatura do produto químico e reduzir o risco de novas liberações de vapor.
O incidente teve início por volta das 17h20 de quarta-feira (15), em um dos tanques de armazenamento de monômero de estireno da Innova. Segundo a companhia, o produto sofreu uma elevação anormal de temperatura, o que provocou a liberação de vapores por meio dos dispositivos de segurança do equipamento. O sistema de segurança do tanque foi acionado para evitar uma explosão, e desde então militares do Grupamento de Biossegurança e Produtos Perigosos trabalham no resfriamento da estrutura.
Vídeos gravados por trabalhadores logo após o início do vazamento e que circularam nas redes sociais mostram a gravidade da situação. Nas imagens, é possível ver uma densa nuvem de fumaça branca saindo da área dos tanques e se espalhando rapidamente pelo pátio da empresa. A intensidade do vapor assustou funcionários que estavam no local e em fábricas vizinhas.
Segundo apuração da Rede Amazônica, o forte odor do produto químico ainda era percebido na região na manhã desta quinta-feira, e trabalhadores que chegavam para o expediente estavam sendo liberados por algumas empresas próximas ao local.
Evacuação e operação de emergência
O Corpo de Bombeiros informou que foi acionado às 17h36 de quarta-feira. Com o risco químico identificado, o plano de emergência foi colocado em prática e a área foi isolada com apoio da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM). A fábrica da Innova e empresas do entorno foram evacuadas por medida de segurança, e trechos da Avenida Buriti também foram interditados para facilitar o acesso das equipes de emergência.
Ao todo, cerca de 35 bombeiros, dez viaturas e quatro canhões de água foram empregados na ocorrência, com a participação de brigadistas da própria empresa.
O que é o estireno?
O monômero de estireno é uma substância usada na fabricação de plásticos, borrachas e outros produtos industriais. Derivado do petróleo e do gás natural, ele é líquido em temperatura ambiente, mas pode evaporar rapidamente quando aquecido.
A chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes, explicou ao g1 os riscos da substância: "Ele tem odor forte e adocicado. A exposição ao gás estireno pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de sintomas como dores de cabeça, tontura e fadiga. Em concentrações elevadas, pode levar a náuseas e problemas respiratórios. O recomendado é usar a máscara P2, também conhecida como N95".
Empresa diz que situação foi controlada
Em nota, a Innova informou que a ocorrência foi controlada conforme os protocolos de emergência da companhia e que todo o resíduo gerado foi armazenado para tratamento adequado. A empresa afirmou ainda que não houve incêndio, vazamento de produto líquido para fora da área de contenção nem registro de vítimas.
"A situação foi prontamente contida de acordo com os procedimentos de emergência estabelecidos pela Companhia", informou a Innova. A empresa também declarou que não há risco de desabastecimento para clientes e que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) informou, em nota, que acompanha o caso e solicitou informações detalhadas sobre as medidas adotadas pela Innova para conter a ocorrência, além dos possíveis impactos na regularidade do projeto industrial e no uso do lote. O órgão manifestou solidariedade aos trabalhadores e demais pessoas afetadas e destacou que a apuração das causas e dos impactos sanitários, ambientais e à saúde dos trabalhadores cabe aos órgãos competentes.
O g1 procurou o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) para saber se houve orientação às empresas do entorno sobre a liberação de funcionários, mas não obteve resposta até o fechamento da reportagem.
A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) informou que 16 pessoas procuraram unidades da rede estadual após a ocorrência. Segundo a pasta, todas apresentavam quadro clínico estável e passaram por avaliação médica. A SES-AM orienta que pessoas expostas ao produto procurem atendimento médico caso apresentem sintomas como irritação nos olhos ou na pele, dor de cabeça, tontura, náusea, sonolência, dificuldade para respirar ou perda de consciência.