Influenza coloca BH em alerta de saúde

Imagem ilustrativa de gripe/resfriado/doença respiratória - Foto: Imagem: Dragana Gordic | Shutterstock
Pico de atendimentos por Influenza em BH acende alerta na saúde; cobertura vacinal está em 59%, abaixo da meta da OMS
O início de julho registrou um pico de atendimentos por doenças respiratórias nos centros de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Belo Horizonte. Após relatos de movimentação acima do normal nas unidades de saúde da capital, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) confirmou que o atendimento para adultos "opera sob status de alerta seguindo os critérios do plano de contingência", em grande parte associado ao vírus Influenza. Segundo a SMS, foram realizados cerca de 29 mil acompanhamentos até o dia 13 de julho. Em 2026, de janeiro até o momento, as UPAs e os centros de saúde registraram aproximadamente 356 mil atendimentos por doenças respiratórias, uma média de 29 mil por mês. No mesmo período de 2025, o número chegou a cerca de 446 mil atendimentos.
A pasta informou que o volume atual de casos é atendido dentro da capacidade operacional, sem necessidade de abertura de novos leitos ou acionamento de planos emergenciais. O médico infectologista Leandro Curi explica as diferenças entre gripe e resfriado e alerta a população. "Temos que saber diferenciar o que é a gripe e o que é resfriado. Não são a mesma coisa. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é perceptível em garganta inflamada, nariz escorrendo, espirro — parece um resfriado. Já o Influenza é um vírus que acomete o organismo inteiro: a pessoa pode ter dificuldade respiratória, febre alta e mal-estar. Ele tende a ser mais grave", explicou.
As doenças respiratórias são mais fáceis de transmitir nessa época do ano por conta do frio e do tempo seco. "Tosse, espirro, fala transmitem mais fácil de uma pessoa para outra o vírus da gripe, do resfriado. Janelas fechadas e ambientes com pessoas mais próximas favorecem a transmissão da doença", ressaltou Curi.
O infectologista esclarece que não existe alimento capaz de aumentar a imunidade de forma isolada. "Uma alimentação balanceada favorece muito mais o sistema imune em geral. Uma boa noite de sono, atividades físicas também contribuem. Uma coisa que pode diminuir a chance de transmissão e de piora quando a pessoa está doente chama-se hidratação", sugere o infectologista. Usar um lenço ou a parte anterior do braço ao espirrar, utilizar máscara cobrindo o nariz e a boca corretamente e manter janelas abertas são medidas que colaboram na prevenção do Influenza. "Então espirrou, tossiu, mexeu com muita gente, pegou em muitos locais, passe água e sabão ou um álcool em gel para esterilizar. Isso vai diminuir a quantidade de vírus na mão", orienta Curi.
A principal forma de proteção, no entanto, continua sendo a vacinação. "Se vacine! Ela não diminui a chance de você contrair o vírus, mas a vacina diminui a chance — e muito — de você passar mal se você contrair a doença", conclui o especialista.
Em 2026, até quarta-feira (15 de julho), foram notificados 947 óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Minas Gerais, o que representa aproximadamente 53,9% do total registrado em todo o ano de 2025. No ano passado, entre janeiro e dezembro, foram contabilizados 1.757 óbitos pela SRAG. Em pouco mais da metade do ano, o estado já ultrapassou a metade do total de mortes do ano anterior, com uma média de 146 óbitos por mês nos anos de 2025 e 2026. Na capital mineira, de janeiro até o momento, foram registrados 243 óbitos por síndrome respiratória aguda grave em 2026, sendo 195 deles de pessoas acima de 60 anos.
A cobertura vacinal contra a gripe em BH chegou a 59%, número ainda distante dos 90% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Desde o lançamento da campanha contra o Influenza, em abril deste ano, Belo Horizonte aplicou quase 700 mil doses do imunizante. Inicialmente, o público-alvo era restrito a crianças menores de 5 anos, idosos acima de 60 anos e gestantes, mas em maio a vacinação foi ampliada para toda a população. Apesar do índice estar abaixo da meta da OMS, BH se destaca nacionalmente.
De acordo com Tatiani Fereguetti, Diretora de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica de Belo Horizonte, os 59% de vacinação contra o Influenza representam "a melhor cobertura vacinal entre capitais do sudeste e a segunda melhor entre as capitais no Brasil", disse. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) reforça que a vacinação é a principal estratégia para reduzir casos graves e internações por Influenza. A vacina é gratuita e protege contra os principais vírus em circulação, incluindo os tipos A (H1N1 e H3N2) e B. A população pode se imunizar na unidade básica de saúde mais próxima ou nos pontos itinerantes de vacinação.
A SMS de Belo Horizonte realizou ações extramuros, como atendimento domiciliar, intervenções em escolas e nas Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). Atualmente, a vacina contra a gripe está disponível nos 154 centros de saúde da capital e no Serviço de Atenção à Saúde do Viajante (Sasv), na rua Paraíba, 890, Savassi. "Além da imunização contra a influenza, foram ofertadas também as vacinas recentemente incorporadas ao Programa Nacional de Imunização (PNI), que é a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) destinado às gestantes. E também um anticorpo monoclonal destinado às crianças com menos de 2 anos que tenham alguma comorbidade ou prematuridade, que serve como uma proteção efetiva nos casos de infecção pelo VSR, o principal agente causador da bronquiolite; que é uma doença respiratória que pode evoluir com gravidade, e que frequentemente leva crianças, principalmente as menores de 1 ano, à internação, podendo provocar a morte", explicou Fereguetti.
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou que "monitora diariamente as solicitações de internação, as transferências de pacientes e a ocupação hospitalar" por meio da Central de Operações para Regulação Estadual (Core Saúde MG). Desde abril de 2026, foram disponibilizados mais de 90 leitos clínicos para atendimento de casos relacionados às doenças respiratórias no estado. Nos meses de maio e junho, foram disponibilizados 105 leitos de terapia intensiva e 19 leitos de suporte ventilatório, entre adultos e pediátricos, com custeio do Ministério da Saúde.
A Core Saúde MG funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. As solicitações são analisadas por médicos reguladores "de acordo com critérios clínicos, gravidade do caso, perfil assistencial necessário e disponibilidade de leito compatível". Quando não há disponibilidade no hospital de referência, a busca é ampliada para outros serviços da macrorregião e, se necessário, para unidades de outras macrorregiões do estado. "Sobre a entrada de pacientes em unidades de saúde estaduais, informamos que as ocupações são dinâmicas e podem variar ao longo do dia em razão de altas, internações, transferências e perfil clínico dos pacientes, por exemplo", explicou a SES-MG. O cenário reforça a importância da vacinação e das medidas preventivas para conter o avanço do Influenza e reduzir o número de casos graves e óbitos em Belo Horizonte e em todo o estado de Minas Gerais.